Todos os locais
Todos os locais

Selecione a região

Instagram Londrina
Instagram Cascavel
Economia

Com informalidade, emprego doméstico bate recorde no País

31 jan 2020 às 07:05
Por: Estadão Conteúdo

Quitéria Nascimento, 33 anos, conseguiu um emprego como trabalhadora doméstica há três semanas. O trabalho, com carteira assinada, foi comemorado com o alívio de quem tem três crianças pequenas para alimentar. "Veio na hora certa. Quando um filho pedir alguma coisa, vou ter como dar", diz.

Ela engrossa uma estatística que chama a atenção: o País nunca teve tantas pessoas trabalhando como empregados domésticos. Em um cenário de desemprego elevado e recuperação ainda lenta das vagas formais perdidas na crise, 6,356 milhões de brasileiros encontraram sustento nos serviços domésticos. Os dados são referentes ao trimestre encerrado em novembro de 2019, última divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). A série foi iniciada em 2012 pelo IBGE.

Apesar do recorde, o número de domésticos com carteira de trabalho assinada caiu ao menor patamar da série, 1,757 milhão em novembro. Outros 4,598 milhões atuavam na informalidade, montante mais elevado já registrado.

"É um emprego feminino, especialmente de mulheres negras, marcado pela baixa escolaridade e baixa renda. E é um perfil que tem envelhecido ao longo dos anos", resumiu Luana Pinheiro, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que estuda o assunto.

As mulheres representam 97% dos trabalhadores domésticos no País, lembrou Cimar Azeredo, diretor adjunto de Pesquisas do IBGE - elas buscam o serviço doméstico como única alternativa para fugir do desemprego.

Outras notícias

Escola adota escala de trabalho 4x3 e aumenta faturamento em 35%

Petrobras eleva querosene de aviação em 18% e pressiona passagens aéreas

Desemprego no 1º trimestre é de 6,1%, o menor já registrado no período

"O emprego doméstico acaba sendo uma porta de entrada para essas mulheres de mais baixa escolaridade, mais baixa renda. Meninas com escolaridade mais elevada ainda conseguiam se inserir em outras atividades, não menos precárias, como telemarketing ou no comércio. Mas o número de empregados domésticos voltou a crescer", disse Luana, do Ipea.

Inserção.

Em apenas um ano, 112 mil pessoas a mais aderiram ao emprego doméstico como forma de inserção no mercado de trabalho. Todas entraram pela via da informalidade. Na verdade, o contingente de empregados domésticos com carteira diminuiu 0,5% em relação a novembro de 2018. Ou seja, oito mil trabalhadores domésticos formais perderam o vínculo empregatício, com carteira assinada.

Desde abril de 2013, a jornada do trabalho doméstico é regulamentada por lei. Um conjunto de novas normas para a profissão, incluindo obrigações de empregadores, foi sancionada há mais de quatro anos, em 2 de junho de 2015. A medida foi conhecida como a PEC das Domésticas. O auge da carteira assinada do setor ocorreu entre 2015 e 2016. Na época, havia mais de dois milhões de trabalhadores domésticos formais.

Para Luana Pinheiro, alguns fenômenos estão por trás da redução na carteira assinada das domésticas. Um deles seria a migração de mensalistas para o trabalho como diaristas.

Dados mostram que vem aumentando também a proporção de famílias que optam por manter mensalistas na informalidade, mesmo que a prática viole a lei trabalhista. O porcentual de trabalhadores domésticos mensalistas com carteira assinada diminuiu de 46,1% em 2016 para 45,4% em 2017, descendo a 43,5% em 2018.

Os trabalhadores formais ganham, em média, 68% a mais que os informais. O salário médio de um empregado doméstico sem carteira foi de R$ 755 em novembro passado. Já o trabalhador doméstico com carteira assinada recebia R$ 1.269.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja também

Relacionadas

Economia
Imagem de destaque

Salário médio do trabalhador amplia recorde e chega a R$ 3.722

Economia
Imagem de destaque

Receita paga lote da malha fina do Imposto de Renda nesta quinta-feira

Economia

Entidades do setor produtivo cobram cortes maiores da Selic

Economia

CNI: acordo Mercosul–UE zera tarifas de 80% das exportações a Europa

Mais Lidas

Cidade
Cascavel e região

Vítimas de grave acidente em Cascavel são identificadas

Cidade
Londrina e região

Cão Zeca é encontrado em rua de Cambé e polícia segue com investigação

Cidade
Cascavel e região

Casal morre em grave acidente no cruzamento da Tancredo Neves com a Rua Vitória

Cidade
Londrina e região

Mãe de quatro crianças é morta a tiros e polícia procura assassino na região

Cidade
Londrina e região

Médico que teria desaparecido com o "Cão Zeca" se pronuncia e diz ser vítima de linchamento

Podcasts

Conversa com Nassif | EP 13 | Direito de Família e Afeto no Mosaico da Vida | Bruna Foglia

Podcast O Construtor | EP 4 | A Alma da Arquitetura | Marcelo Melhado

Podcast Admita Insight | EP 1 | Como as empresas devem lidar com os riscos psicossociais a partir de agora | Ester Falaschi; Dr. Alexandre Hirade e Dr. Jorge Polverini

Tarobá © 2024 - Todos os direitos reservados.