O dólar fechou em R$ 5,2299 nesta sexta-feira (13), em alta de 0,57%, impulsionado por ajustes técnicos e realização de lucros antes do Carnaval. Com valorização nas duas últimas sessões, a divisa encerra a semana com ganho de 0,18%.
Pela manhã, a moeda chegou a R$ 5,2495, próxima de R$ 5,25, em momento de maior estresse no exterior. Ao longo do dia, com melhora no humor global, alta do petróleo e redução das perdas na B3, o dólar recuou para cerca de R$ 5,22.
No acumulado de fevereiro, a divisa registra queda de 0,34%, depois de recuo de 4,40% em janeiro, maior queda mensal desde junho de 2025 (4,99%). No ano, a baixa chega a 4,72%.
“Tivemos uma pequena realização de lucros nos dois últimos dias. É um movimento que não sinaliza qualquer mudança de tendência para o comportamento do câmbio”, afirma Marcelo Fonseca, economista do Grupo CVPAR.
Ele destaca a continuidade do movimento global de rotação de carteiras favorável a ativos de países emergentes. Segundo Fonseca, “a bolsa brasileira é uma das que mais subiram entre as mais líquidas e os juros futuros já recuaram bastante. Daqui para frente, esse movimento global tende a beneficiar mais o câmbio e as NTN-Bs”.
Nos Estados Unidos, dados recentes mostram inflação em linha com expectativas. O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,2% em janeiro, abaixo da mediana projetada de 0,3%, enquanto o núcleo do CPI avançou 0,3%, conforme esperado.
O Dollar Index (DXY), que mede a divisa americana frente a seis moedas fortes, permaneceu próximo da estabilidade, pouco abaixo dos 97.000 pontos, em meio a perdas de mais de 2,5% do iene japonês, refletindo expectativas de expansão fiscal no país após vitória do partido da primeira-ministra Sanae Takaichi.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avalia que os indicadores recentes “não alteram o plano de voo do Federal Reserve”, que deve manter postura prudente diante de um mercado de trabalho ainda equilibrado e relativamente resiliente.
Segundo dados do CME Group, a chance de corte de juros pelo Fed em junho subiu levemente para 68%, enquanto o afrouxamento monetário total no ano permanece estimado entre 50 e 75 pontos-base.
Para Fonseca, a economia americana ainda cresce abaixo do potencial, mas a inflação permanece acima da meta, e não há necessidade de cortes adicionais neste momento.
Ele acredita que o BC americano pode realizar apenas um corte de juros neste ano, em junho ou no segundo semestre.