Economia

Jovens acumulam R$ 3,5 bilhões em investimentos na Bolsa

12 out 2026 às 19:42

A tradicional caderneta de poupança tem dividido espaço com outras modalidades de investimento no planejamento financeiro das famílias brasileiras. Dados divulgados pela B3 mostram que mais de 60,8 mil investidores de até 17 anos mantêm posições ativas em renda variável, incluindo ações, fundos imobiliários (FIIs), ETFs e BDRs. O número representa um crescimento de 58% em relação a dezembro de 2022.


Juntos, esses jovens e crianças acumulam cerca de R$ 3,5 bilhões em patrimônio investido. Na prática, isso significa que milhares de menores de idade já podem se tornar sócios de grandes empresas brasileiras, como Banco do Brasil, Itaú, Petrobras, Vale e WEG, antes de completarem 18 anos.


Para Christianne Bariquelli, superintendente de Negócios para Pessoa Física da B3, os números refletem uma mudança cultural dentro das famílias. Segundo ela, o investimento deixou de ser um assunto restrito aos adultos e passou a fazer parte do planejamento financeiro de longo prazo, inclusive para crianças e adolescentes.


Participação feminina cresce na Bolsa

Um dos destaques do levantamento é o avanço da participação feminina no mercado de ações. Nos últimos quatro anos, o número de investidoras de até 17 anos cresceu 72%, passando de 14,3 mil para 24,5 mil.


Entre os meninos, o crescimento foi de 50% no mesmo período, de 24,1 mil para 36,3 mil investidores. Embora eles ainda sejam maioria, as meninas já representam cerca de quatro em cada dez contas de menores de idade na Bolsa.


Os dados indicam que o contato das mulheres com o mercado financeiro está começando cada vez mais cedo.


Onde estão os jovens investidores

A distribuição geográfica acompanha a concentração histórica do mercado financeiro brasileiro. São Paulo lidera o número de investidores de até 17 anos, seguido pelo Rio de Janeiro e por Minas Gerais.

Confira os estados com mais jovens investidores:

  • São Paulo: 21,8 mil investidores;

  • Rio de Janeiro: 5,6 mil;

  • Minas Gerais: 5,3 mil.


Em relação aos ativos, as ações são a opção mais popular, presentes nas carteiras de quase 46 mil jovens.  Os fundos imobiliários aparecem na sequência, com aproximadamente 31,5 mil investidores, seguidos por ETFs e instrumentos de diversificação internacional.


Entre as escolhas estão empresas de grande porte e fundos imobiliários que distribuem rendimentos, alternativas que podem fazer parte de estratégias de investimento de longo prazo. Os resultados, porém, dependem dos ativos escolhidos e das condições do mercado.


Tesouro Direto também atrai crianças e adolescentes

Além da renda variável, os títulos públicos também aparecem no planejamento financeiro das famílias que buscam formar reservas para o futuro dos filhos.


O Tesouro Educa+, criado para ajudar no planejamento dos custos com educação, reúne 12,9 mil investidores de até 17 anos, com saldo mediano de R$ 2,5 mil.


Já o Tesouro RendA+, voltado ao planejamento da aposentadoria complementar, soma 6,7 mil investidores nessa faixa etária, com saldo mediano de R$ 3,12 mil.


As duas modalidades permitem planejar objetivos de longo prazo, mas têm regras, prazos e características diferentes que devem ser considerados antes da aplicação.


Como investir no nome de um menor de idade

Crianças e adolescentes podem ter investimentos registrados no próprio CPF, desde que sejam observadas as exigências da instituição financeira e as regras de representação legal.


Veja os principais passos:

  1. Abrir uma conta em uma instituição autorizada: o procedimento deve ser feito com a participação dos pais ou responsáveis legais, mediante apresentação dos documentos solicitados, como identificação do menor e dos responsáveis.

  2. Definir os valores dos aportes: não é necessário começar com grandes quantias. A família pode estabelecer contribuições regulares de acordo com o orçamento disponível.

  3. Planejar os objetivos: os investimentos podem ser direcionados a metas futuras, como faculdade, intercâmbio ou formação de patrimônio para o início da vida adulta.


O tempo é um fator importante no planejamento financeiro. Em períodos longos, os juros compostos podem contribuir para o crescimento do patrimônio, embora os resultados dependam dos valores investidos, da rentabilidade e dos riscos de cada modalidade.


Para as famílias, incluir crianças e adolescentes nas conversas sobre dinheiro também pode ser uma forma de desenvolver hábitos de planejamento, poupança e tomada de decisões financeiras responsáveis.

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