A participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 terminou com drama esportivo e forte desgaste nos bastidores. Mesmo deixando o torneio de forma invicta, a seleção asiática foi eliminada na fase de grupos após terminar como a nona melhor terceira colocada da competição — o regulamento previa que apenas as oito melhores avançariam para a fase de 16 avos de final.
Logo após a confirmação da queda, selada pelo empate por 3 a 3 entre Argélia e Áustria no fechamento da rodada, a Federação Iraniana de Futebol divulgou um duro manifesto público. No texto, a entidade agradeceu aos profissionais de imprensa, mas denunciou ter sofrido um “tratamento injusto e antidesportivo” durante o período de concentração no torneio.
Logística sufocante e crise diplomática
A trajetória iraniana no Mundial foi marcada por forte turbulência política fora das quatro linhas. Em virtude do agravamento das tensões diplomáticas e do cenário de guerra envolvendo os Estados Unidos (um dos países-sede), a presença da equipe no campeonato chegou a ser colocada em xeque.
Diante de temores com a segurança da delegação, o Irã tentou transferir o mando de suas partidas integralmente para o território do México. O pleito, contudo, foi negado de forma definitiva pela Fifa, obrigando o elenco a atuar sob severo clima de pressão psicológica e monitoramento policial.
Os problemas estruturais persistiram após o início da competição. A gota d'água ocorreu após a estreia contra a Nova Zelândia, quando o Departamento de Mídia iraniano criticou publicamente o cronograma de viagens imposto pela organização do evento. A federação prepara um processo formal de reclamação junto à Fifa por ter recebido um prazo de pouco mais de 24 horas para deslocar todo o seu aparato até Los Angeles antes do jogo decisivo contra a Bélgica, intervalo considerado nocivo à recuperação física dos atletas.
Gratidão ao povo de Tijuana
Apesar do tom áspero adotado contra as autoridades esportivas, o comunicado oficial do Irã reservou espaço para elogiar calorosamente a cidade de Tijuana, base operacional da equipe na América do Norte. O órgão agradeceu ao governo local e aos torcedores mexicanos pelo acolhimento humanitário em um momento de isolamento político.
"Vocês nos receberam com generosidade e hospitalidade genuína, fazendo-nos sentir em casa. As memórias que criamos aqui, as amizades que construímos e a gentileza que recebemos permanecerão para sempre nos corações de cada membro da nossa Seleção", diz trecho do documento.
Esportivamente, o Irã se despede com uma incômoda sensação de quase-lá: a equipe acumulou três empates em três jogos e dependia de uma combinação matemática simples no encerramento do grupo vizinho. O gol de empate tardio no duelo entre argelinos e austríacos empurrou as duas equipes juntas para os playoffs e selou a eliminação iraniana por apenas uma posição na tabela geral de classificação.