Um dos carros mais icônicos da Fórmula 1, sobretudo para os fãs brasileiros, está disponível para venda. Trata-se da Lotus 98T, chassi número 3, utilizado por Ayrton Senna durante a temporada de 1986.
O monoposto é oferecido pela casa de leilões RM Sotheby’s, que projeta uma arrematação entre US$ 9,5 milhões e US$ 12 milhões (R$ 62,7 milhões, na cotação atual). O certame ocorre em 4 de março.
A Lotus 98T-3 é equipada com o motor Renault EF15 V6 de 1,5 litro, desenvolvido pela Renault, unidade de força que marcou a transição tecnológica da categoria.
O modelo é reconhecido não apenas pelo valor histórico, mas por representar o auge da engenharia de motores turbo sem restrições de potência na década de 1980.
Motor turbo acima de 1.000 cv marca auge técnico dos anos 1980
O carro utilizava o sistema Distribution Pneumatique (DP), que substituía as molas de válvula convencionais por um mecanismo de ar comprimido. A solução permitia ao motor atingir regimes superiores a 12.500 rpm sem risco de flutuação de válvulas, problema comum em altas rotações.
Nas sessões de classificação, o motor operava com pressão de turbo superior a 4 bar, gerando potência estimada acima de 1.000 cv. Em corrida, devido às regras de consumo de combustível (limitadas a 195 litros, na época) e à necessidade de confiabilidade mecânica, a potência era ajustada para cerca de 900 cv.
O gerenciamento eletrônico ficava a cargo de uma unidade de processamento que fornecia dados de consumo em tempo real ao piloto. O projeto, assinado pelo engenheiro Gérard Ducarouge, introduziu melhorias estruturais significativas em relação ao antecessor, o 97T.
O chassi é um monocoque construído em peça única de fibra de carbono e alumínio, solução que elevou a rigidez torcional e reduziu o peso do conjunto.
A utilização de painéis de composto de carbono e anteparos usinados em alumínio sólido contribuiu para diminuir a altura da seção traseira, otimizando o fluxo aerodinâmico em direção ao aerofólio.
A unidade foi usada por Senna em oito ocasiões em 1986, incluindo uma das corridas mais emblemáticas de sua trajetória. O chassi 98T-3 registrou a 100ª pole position da equipe Lotus no Grande Prêmio da Espanha, em Jerez.
Na mesma prova, o brasileiro venceu Nigel Mansell por apenas 0,014 segundo, uma das menores margens da história do automobilismo. Ao todo, esse chassi acumulou cinco pole positions e duas vitórias.
O veículo também tem relevância estética e simbólica por ser o último modelo da equipe a ostentar a icônica pintura preta e dourada da John Player Special. Após ser vendido diretamente pela fábrica em 1988, passou a integrar coleções privadas.
Em 2016, o carro foi submetido a uma restauração integral conduzida pela Paul Lanzante Ltd, empresa britânica especializada em engenharia de competição.
Segundo a documentação técnica do leilão, os sistemas mecânico e estrutural foram totalmente revisados, deixando o monoposto apto a rodar novamente em demonstrações de pista.
O lendário chassi McLaren MP4/6-1, carro que levou Ayrton Senna à sua emocionante e primeira vitória no Grande Prêmio do Brasil, em Interlagos, em 1991, foi colocado à venda. O chassi MP4/6-1 é o primeiro da série e, foi o único a ser utilizado naquela corrida.