O Judiciário em Curitiba recebeu denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio do núcleo local do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), contra três policiais militares investigados na Operação Tântalo por suspeita de crimes de tortura.
Ao acolher a denúncia, a Vara da Auditoria da Justiça Militar da capital determinou o afastamento de dois dos réus de suas funções e manteve o afastamento anteriormente imposto ao terceiro policial, conforme pedido do MPPR. A decisão estabelece que os três investigados fiquem afastados de serviços operacionais, não utilizem fardamento, nem armas da corporação ou de uso particular, além de terem suspensos os logins e senhas de acesso aos sistemas de investigação policial. De acordo com o Ministério Público, as medidas valem enquanto durar o processo ou até eventual nova determinação judicial.
Medidas visam preservar investigação
Segundo o MPPR, as restrições impostas pela Justiça Militar buscam evitar possíveis interferências nas apurações e garantir a segurança de eventuais vítimas e testemunhas, enquanto o processo criminal tramita. Para o Gaeco, o afastamento dos policiais de atividades de rua e o bloqueio de acessos a sistemas internos da corporação contribuem para a lisura da coleta de provas e para a proteção de pessoas envolvidas no caso.
Operação Tântalo apura tortura no Centro Histórico
Deflagrada em 10 de dezembro de 2025, a Operação Tântalo tem como objetivo apurar a possível prática reiterada e sistemática do crime de tortura por policiais militares lotados na 1ª Companhia do 12º Batalhão da Polícia Militar, que atua na região do Centro Histórico de Curitiba.
Conforme o MPPR, a investigação se concentrou em supostos episódios ocorridos na área, culminando na denúncia de que um civil teria sido vítima de tortura no local em março de 2025. As diligências do Gaeco reuniram elementos que, na avaliação do órgão, indicam a participação dos três policiais nas condutas investigadas, o que motivou o oferecimento da denúncia agora recebida pela Justiça Militar.
Réus responderão a processo criminal
Com o recebimento da denúncia, os policiais militares passam à condição de réus e responderão a ação penal na Vara da Auditoria da Justiça Militar, onde poderão apresentar defesa e acompanhar a produção de provas.
Na esfera criminal, o crime de tortura é considerado grave e pode resultar em penas de reclusão e perda do cargo público, caso haja condenação, além de repercussões administrativas dentro da corporação. O processo ainda está em fase inicial, e não há, por enquanto, previsão de julgamento. A identidade dos envolvidos não foi divulgada oficialmente.