Em entrevista exclusiva à Rádio BandNews FM, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, condicionou a discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil a um debate prioritário sobre o aumento da produtividade no país. Para ele, abolir a escala 6 por 1 sem garantir ganhos de eficiência pode gerar inflação, perda de competitividade e agravar o déficit público. O presidente da Confederação Nacional da Indústria conversou com o âncora do BandNews no Meio do Dia e do Jornal da Band, Eduardo Oinegue, com os apresentadores Larissa Biscaia e Umberto Ferretti e com a colunista de economia da BandNews FM Juliana Rosa.
Alban destacou que a média de horas efetivamente trabalhadas no Brasil já é de 39,3 horas semanais, abaixo da média de 42 horas de países da OCDE e do G20. Ele alertou que o país não pode adotar uma medida que impacte a economia de forma negativa, especialmente em um cenário de produtividade estagnada há décadas.
O X da questão: Produtividade
Segundo o presidente da CNI, a baixa produtividade brasileira, que cresce apenas 0,2% ao ano nas últimas três décadas, é o principal entrave para a discussão. Ele comparou a situação com a da China, que possui uma jornada de 9 horas diárias, seis dias por semana, mas que alcançou um avanço tecnológico e de produtividade expressivo.
"Não faz sentido nós termos tantas obrigatoriedades sem haver as ambiências necessárias para que isso aconteça", afirmou Alban. Ele defendeu a criação de métricas para avaliar o impacto da medida no PIB, na inflação e no emprego antes de qualquer decisão ser tomada, criticando o que chamou de "oportunismo" em ano eleitoral.
Críticas ao 'Custo Brasil' e ao Papel do Estado
Questionado sobre a responsabilidade das empresas na baixa produtividade, Alban apontou o "Custo Brasil" como um dos principais vilões. Ele citou a alta carga tributária, a insegurança jurídica e a falta de investimentos em inovação como fatores que impedem o avanço do setor produtivo.
O presidente da CNI criticou a falta de ação do Estado em frentes que poderiam aumentar a arrecadação e melhorar o ambiente de negócios. Ele citou a não regulamentação dos cigarros eletrônicos, que poderia gerar bilhões em impostos, e a tributação das apostas esportivas como exemplos de oportunidades perdidas.
Busca por competitividade e o acordo Mercosul-UE
Para Alban, uma das saídas para aumentar a competitividade da indústria brasileira é a efetivação de acordos comerciais, como o do Mercosul com a União Europeia. Ele se mostrou otimista com a aprovação do tratado, que, segundo ele, forçaria a indústria nacional a se modernizar e a agregar mais valor a seus produtos.
"A geopolítica hoje está dizendo tudo. Nós temos que aproveitar, por sermos sempre um país amigo, um país afável com todas as suas relações comerciais", destacou. A CNI tem intensificado sua atuação internacional para facilitar a inserção do setor industrial brasileiro no mercado global.