O cardiologista Brasil Caiado afirmou, nesta sexta-feira (13), que o quadro de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro é delicado. Segundo o médico, o diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral representa, possivelmente, a pior pneumonia já enfrentada pelo ex-mandatário, que segue internado em tratamento intensivo no Hospital DF Star, em Brasília.
“É uma pneumonia grave, possivelmente a maior que ele já teve, com provável origem aspirativa. Por conta disso, ele foi encaminhado para o tratamento intensivo e está recebendo antibióticos por via venosa”, diz o médico.
“O quadro é grave porque, na verdade, o quadro começou nessa madrugada. E tem um exame específico, uma coisa médica, que se chama procalcitonina, que ela sobe nas infecções agudas. E ela sobe só em infecções mais graves, e a dele aumentou de forma drástica na primeira coleta que nós fizemos”, afiremou.
Bolsonaro deu entrada na unidade de saúde após apresentar sintomas severos, como febre alta, calafrios, sudorese e queda na saturação de oxigênio. De acordo com a equipe médica, a infecção tem provável origem aspirativa e está sendo combatida com a administração de antibióticos por via venosa.
“O que chamou muito a atenção no exame inicial foi a queda da saturação. Normalmente a gente tem 95%, 96%. A dele, lá [na Papudinha], bateu em 80%. Então essa queda só reverteu com oxigênio nasal. Ele já chegou aqui já com o suporte de oxigênio nasal”, afirmou.
Gravidade do quadro clínico
Durante o detalhamento do estado de saúde, Brasil Caiado enfatizou a severidade da infecção nos pulmões do ex-presidente. Para o médico, a extensão da doença exige monitoramento constante em ambiente de UTI.
“Pelo passado dele de várias comorbidades, várias nós já descrevemos aqui para vocês, e a principal delas neste caso que nós suspeitamos é a esofagite, a gastrite e o refluxo gastroesofágico. Este refluxo, quando é aspirado para o pulmão, causa uma pneumonia aguda grave”, afirmou o cardiologista.
“Ele obteve uma pequena melhora, mas no momento ainda reclamando de enjoo, dor de cabeça, cefaleia, aquelas dores musculares clássicas da infecção. E o que nós temos que fazer agora é aguardar o efeito do medicamento”.
Sem previsão de alta
Sobre a possibilidade de Bolsonaro deixar o hospital e retornar à Superintendência da Polícia Federal ou ao complexo da Papudinha, o médico foi cauteloso. A equipe de saúde aguarda a evolução do paciente nas próximas horas antes de qualquer projeção.
"Ainda é muito cedo para falar em alta. Não temos como saber quanto tempo ele ficará internado. Nós precisamos da resposta do medicamento e também do próprio organismo se defendendo. Não acredito que ele volte [para a prisão] nos próximos dias. Porque como o tratamento é venoso e tem que ser feito em ambiente hospitalar, isso é um padrão para todo tipo de pneumonia broncoaspirativa num paciente da idade dele", pontuou Caiado.
Contexto da internação
A hospitalização de Bolsonaro ocorreu sob forte esquema de segurança. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também esteve no DF Star para exames de rotina na manhã de hoje, autorizou que Michelle Bolsonaro acompanhe o marido durante a internação.
A defesa do ex-presidente já havia questionado anteriormente a estrutura médica disponível no sistema prisional. O ex-mandatário cumpre pena de 27 anos e 3 meses e possui um histórico de saúde complexo, com diversas cirurgias abdominais desde o atentado sofrido em 2018.