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Política

Facada em Bolsonaro levou ao 'golpe da vaquinha'

07 set 2019 às 07:45
Por: Estadão Conteúdo

Uma das instituições que mais ganharam respeito no País recentemente pede ajuda para salvar bebês prematuros. O motivo parece nobre, mas é apenas mais um dos golpes aplicados em nome da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, instituição que ganhou notoriedade depois de prestar atendimento ao então presidenciável Jair Bolsonaro após a facada desferida por Adélio Bispo.

Em gratidão, Bolsonaro anunciou que destinaria suas sobras de campanha para o hospital, que completou 165 anos no último mês. A ação, no entanto, foi barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas a instituição chegou a receber doações. Apoiadores de Bolsonaro angariaram R$ 1,3 milhão para a Santa Casa, que deve ser destinado a obras de infraestrutura.

Ainda assim, seja por má-fé ou falta de organização, dezenas de "vaquinhas" não oficiais podem ser encontradas na internet em nome da Santa Casa, algumas com valores na casa dos milhares de reais. Somente em agosto, a instituição teve de vir a público duas vezes para desmentir golpistas que usavam seu nome para angariar fundos.

Em nota, a Santa Casa informou que "não pede, em hipótese alguma, doações e/ou depósitos via telefone e não autoriza nenhuma pessoa ou empresa a fazê-lo em nome da instituição". "É uma preocupação que tivemos de ter. Há golpes toda hora no Brasil, e o sistema integrado de internet permite isso. Facilita muito dizer o que fez, ou deixou de fazer", afirmou o presidente da Santa Casa de Juiz de Fora, Renato Loures.

Ele relatou dificuldades na administração financeira do hospital, mas destacou que a situação é melhor frente a outras filantrópicas no Brasil. "O déficit na nossa instituição gira em torno de 33%, e a média brasileira é acima de 60%. Temos uma gestão avançada que conta com operador de saúde."

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Ainda como deputado pelo PSL, Bolsonaro destinou uma emenda parlamentar para a instituição, não liberada até agora. Os R$ 2 milhões seriam utilizados para cobrir o déficit dos procedimentos do SUS, que, em 2017, chegaram a R$ 27 milhões.

Ato

Apoiadores de Bolsonaro realizaram, ontem, um culto ecumênico no cruzamento entre as ruas Halfeld e Batista de Oliveira, no centro de Juiz de Fora, local exato onde o presidente sofreu o atentado há um ano.

Em cima de um trio elétrico, apoiadores de Bolsonaro discursaram, entre eles o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho "03" do presidente. O parlamentar chegou a visitar a Santa Casa e, assim como o pai já havia feito em outras ocasiões, agradeceu aos profissionais da instituição. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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