Enquanto monitora a imprensa e tenta seguir conversas em mais de 70 grupos nas mídias sociais, o prefeito de Cascavel, Leonaldo Paranhos, acompanha as falas apimentadas dos vereadores Fernando Hallberg, Jorge Bocasanta, Pedro Sampaio e Policial Madril, considerados de oposição ou independentes. Nos últimos dois meses, também passou a prestar atenção no tom pesado dos discursos de integrantes da "base de apoio" e alguns "simpatizantes". É o caso de Serginho Ribeiro, que não se vê como oposicionista e conseguiu a cadeira via o extinto PPL.
Ele avalia convites de agremiações e permanece sem partido, na dúvida se deve seguir o deputado Marcio Pacheco a quem ajudou na reeleição e viu migrar ao PDT. Até porque no ninho pedetista está o adversário político Edgar Bueno, de quem quer distância. Enquanto aguarda mudanças de nomes e outras engenharias nas siglas partidárias a fim de decidir o destino, o parlamentar apimentou discurso contra setores do atual governo. Ele vinha acompanhando a situação em quase todas as votações e amaciando críticas. Agora a conversa é outra. Há três semanas divulgou vídeo apontando omissão do Meio Ambiente e da Saúde, que não teriam atendido situação de calamidade num canil onde são abrigados cerca de 300 animais.
O espaço é pequeno, os cães não ganham alimento suficiente, perturbam a vizinhança com barulho e mau cheiro, além de ocorrerem doenças e mortes entre eles. Segundo considera, embora a legislação dificulte algumas ações do tipo, muitos casos são marcados pelo amadorismo e a falta de interesse do poder público. A cobrança da população é dura e a sensação de impotência incomoda, argumenta. Coincidência ou não, nas últimas sessões legislativas Serginho acompanhou o voto da oposição.