O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou hoje que o mundo deve descobrir em 10 dias se os EUA tomarão medidas militares contra o Irã.
"Vocês provavelmente descobrirão em 10 dias", afirmou o norte-americano. As afirmações foram feitas durante a reunião inaugural do Conselho da Paz em Washington, D.C.
Trump sugeriu que considera a possibilidade de um ataque. "Talvez tenhamos que dar um passo adiante, ou talvez não. Talvez cheguemos a um acordo", acrescentou.
O republicano fez novamente pressão sobre o país iraniano para chegar a um consenso. "Se não acontecer [um acordo], não aconteceu. Coisas ruins acontecerão se não acontecer", ameaçou.
As Forças Armadas dos EUA sinalizaram que estão prontas para uma ofensiva já neste final de semana. A informação foi dada ontem pela TV americana CNN, citando ter ouvido fontes familiarizadas.
Militares, no entanto, ainda não teriam recebido aval do presidente. Até o momento, Trump argumentou tanto a favor, quanto contra uma ação militar. Ele também fez consultas a assessores e aliados, mas sem uma decisão até o momento.
EUA mandaram equipamentos para o Oriente Médio nos últimos dias. O USS Gerald Ford —tido como o porta-aviões mais avançado— deve chegar à região neste fim de semana. Outros recursos, como aviões-tanque de reabastecimento e caças, já haviam sido enviados.
Americanos têm buscado expandir o escopo das negociações a respeito do desenvolvimento nuclear iraniano. O objetivo de Trump é levar para a mesa de discussões questões não nucleares, como o arsenal de mísseis iraniano. O Irã afirma estar disposto apenas a discutir restrições para o seu programa nuclear. Em troca, o alívio às sanções.
Teerã descarta a possibilidade de abandonar completamente o enriquecimento de urânio. Os iranianos afirmaram ontem que havia concordado com os Estados Unidos sobre "diretrizes gerais" em Genebra para um acordo que evitasse conflitos, mas descartou a chance de discutir o seu programa de mísseis.
Casa Branca não está completamente satisfeita com negociações. A secretária de imprensa do governo Trump, Karoline Leavitt, disse aos repórteres que houve algum progresso em Genebra, mas que ainda estamos muito distantes em algumas questões.
Conselho da Paz tem contribuição de US$ 10 bilhões dos EUA
Para dar o impulso inicial, Trump anunciou a contribuição de 10 bilhões de dólares. A quantia deve ser complementada por outros bilhões de dólares de países do Golfo, assim como do Japão e de outras nações presentes, para iniciar os trabalhos de reconstrução na devastada Faixa de Gaza.
A nova instituição, a princípio focada em Gaza, reuniu cerca de 20 chefes de Estado hoje. Javier Milei, da Argentina, e Santiago Peña, do Paraguai, foram alguns dos que viajaram a Washington para o lançamento de uma aliança que pode rivalizar com as Nações Unidas.
A cerimônia contou com autoelogios de Trump. Ele destacou suas iniciativas de paz em oito conflitos internacionais, mas também fez ameaças ao Irã, que continua resistindo às exigências de Washington para que cesse suas ambições nucleares e militares.
A administração provisória, organizada pelo Conselho, começará recrutando força policial. Ela será composta majoritariamente por pessoal do Egito e da Jordânia. Indonésia, Marrocos, Cazaquistão, Kosovo e Albânia contribuirão com tropas militares.
O órgão foi formado depois que o governo Trump, em colaboração com Catar e Egito, negociou, em outubro, um cessar-fogo para pôr fim a dois anos da guerra devastadora em Gaza. Washington afirma que o plano entrou agora em sua segunda fase, centrada no desarmamento do Hamas, o grupo armado palestino cujo ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel desencadeou uma ofensiva em grande escala.
*Com informações da AFP