Uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Londrina resultou na prisão em flagrante de três funcionários de um estabelecimento comercial automotivo localizado na região central da cidade. A ação, comandada pelo delegado Edgar Soriani, culminou na captura do gerente, de um supervisor e de um mecânico da empresa. Os envolvidos respondem pelos crimes de estelionato e crime contra as relações de consumo, após a descoberta de um esquema estruturado de fraude mecânica.
O golpe funcionava por meio de anúncios isca na internet, que ofertavam pneus novos por valores expressivamente abaixo da média praticada pelo mercado tradicional. Atraídos pela vantagem financeira, os motoristas agendavam o serviço e deixavam os automóveis na oficina. Contudo, ao retornarem para a retirada, os clientes eram surpreendidos com orçamentos exorbitantes e cobranças por manutenções adicionais alegadas pelas equipes técnicas como corretivas e urgentes.
Aproveitando-se do fato de os veículos já estarem completamente desmontados e suspensos nas plataformas elevatórias da oficina, os funcionários coagiam os proprietários. A empresa passava a exigir o pagamento de taxas indevidas e praticava venda casada de autopeças como condição obrigatória para realizar a remontagem dos automóveis.
Idosos e mulheres eram os alvos preferenciais
As investigações da Polícia Civil apontam que a organização criminosa selecionava o perfil de suas vítimas de forma estratégica. Os alvos prioritários eram mulheres, idosos e condutores com baixo conhecimento técnico sobre engenharia mecânica, facilitando a indução ao erro por meio de termos alarmistas sobre falsos riscos de acidentes.
Nos cenários em que o cliente recusava formalmente a execução dos serviços extras sugeridos, o estabelecimento cobrava uma taxa ilegal abusiva, oscilando entre R$ 500 e R$ 600, sob o pretexto de cobrir a mão de obra de montagem e liberação do patrimônio.
A autoridade policial reforçou que a retenção forçada de veículos como garantia de pagamento configura ato ilícito. Em apenas um dos boletins de ocorrência anexados ao inquérito, uma única vítima acumulou uma dívida indevida de R$ 18 mil.
Procon pode cassar alvará de funcionamento
Diante do cenário de reiteração criminosa e do flagrante delito, os três empregados vinculados diretamente aos atendimentos abusivos receberam voz de prisão. A Polícia Civil confirmou que o Procon de Londrina será oficialmente notificado com o envio de cópias integrais dos registros policiais. O órgão de defesa do consumidor deverá aplicar sanções administrativas que podem culminar em multas severas, interdição cautelar ou a cassação definitiva do alvará de funcionamento do comércio.
O inquérito policial foi centralizado no Primeiro Distrito Policial de Londrina. As autoridades orientam outros cidadãos que tenham sido lesados pela mesma oficina mecânica a comparecerem à delegacia para registrar a ocorrência. O acúmulo de novos depoimentos poderá fundamentar o indiciamento dos envolvidos também pelo crime de associação criminosa.