O cenário agrícola em Goiás na safra 25/26 apresentou desafios climáticos que alteraram o planejamento tradicional. O atraso no ciclo da soja, provocado pela irregularidade das chuvas, reduziu a janela ideal para o plantio do milho safrinha. Diante desse risco, produtores da região de Rio Verde, no sudoeste goiano, estão diversificando as culturas e apostando no girassol como uma alternativa segura e rentável.
Diferente do milho, o girassol possui uma tolerância maior ao estresse hídrico e suporta climas mais agressivos. Segundo o agrônomo Igor Lima, a escolha foi estratégica: após uma safra de soja que sofreu com a falta de chuva no início e dias nublados no enchimento de grãos, o girassol surge como uma cultura de baixo custo de manutenção e alta resiliência.
Benefícios para o solo e integração com a pecuária
Além da viabilidade financeira, o girassol atua como um "reciclador" de nutrientes. Suas raízes profundas buscam minerais em camadas inferiores do solo e os trazem para a superfície. "Para cada mil quilos de grãos, o girassol recicla até 170 quilos de potássio, deixando-o disponível de forma orgânica para a soja subsequente", explica o agrônomo Jacson Tortelli. Produtores relatam que áreas que receberam girassol chegam a produzir de cinco a seis sacas a mais de soja na safra seguinte.
A estratégia na região ainda inclui uma terceira safra:
Soja: Safra principal.
Girassol: Segunda safra com foco em óleo e biodiesel.
Pecuária: Plantio de braquiária após o girassol para pastejo do gado, auxiliando na descompactação do solo e no controle de plantas daninhas.
Mercado em expansão
A segurança para o produtor é garantida por contratos com indústrias locais, que utilizam o grão para a produção de óleos alimentícios, cosméticos, fármacos e nutrição animal. Segundo dados da Conab, a estimativa para Goiás na safra 25/26 é de uma produção superior a 72 mil toneladas de girassol, em uma área de aproximadamente 47 mil hectares.