O Oeste do Paraná se consolidou como uma das principais regiões agrícolas do estado a partir de um processo de ocupação marcado pela chegada de famílias de outras partes do país, pela exploração madeireira e pela expansão das lavouras. A combinação entre terras agricultáveis, mão de obra e incentivos governamentais contribuiu para transformar a economia regional e abrir caminho para o crescimento do agronegócio.
A história dessa transformação passa por diferentes períodos de migração e mudanças na produção. A chegada de agricultores, principalmente do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, ajudou a formar comunidades que, ao longo das décadas, passaram a investir no cultivo de grãos, com destaque para o milho e a soja.
O desenvolvimento regional acompanha a importância do agronegócio brasileiro no mercado internacional. Em 2025, as exportações do setor alcançaram US$ 169 bilhões, o equivalente a 48% de tudo o que o país exportou no período. Para a safra 2025/2026, a estimativa apresentada no material é de 353 milhões de toneladas de grãos no Brasil.
Ocupação do Oeste começou há séculos
A história da ocupação da região remonta ao período colonial. Em 1557, espanhóis fundaram a cidade de Ontiveros, na área da atual Guaíra, onde já viviam povos indígenas, entre eles os caingangues. Mais tarde, no século XVIII, o tropeirismo contribuiu para a circulação de pessoas e mercadorias pelo território.
O povoamento de áreas que hoje integram o município de Cascavel ganhou força no início do século XX, com a chegada de moradores de diferentes origens. A exploração da erva-mate marcou uma das primeiras atividades econômicas, seguida pelo ciclo da madeira, que atraiu famílias e impulsionou a formação de núcleos urbanos.
Migração ajudou a formar a região
Nas décadas de 1950 e 1960, famílias do Sul do Brasil passaram a procurar novas áreas para viver e produzir. No Rio Grande do Sul, a divisão das propriedades entre os filhos reduzia o tamanho das terras disponíveis para cada nova geração, o que estimulou a busca por áreas em outros estados.
O Paraná se tornou um destino para esses agricultores, muitos deles interessados em estabelecer novas propriedades e garantir condições de sustento para as famílias. Descendentes de imigrantes poloneses, alemães e italianos estiveram entre os grupos que contribuíram para a formação da população regional.
Os registros preservados pelo Museu Histórico de Cascavel ajudam a contar essa trajetória. Na época, a cidade também era um ponto de passagem e encontro de viajantes que seguiam em direção a outras regiões do país.
Famílias cultivavam o próprio alimento
A adaptação à nova realidade exigia planejamento e trabalho. Nos primeiros anos, muitas famílias dependiam dos alimentos que conseguiam trazer de suas regiões de origem até que as novas áreas estivessem preparadas para o cultivo.
A criação de animais e o plantio de alimentos para consumo próprio faziam parte da rotina. Arroz, feijão e outras culturas ajudavam a garantir a subsistência, enquanto as famílias preparavam o solo para ampliar a produção agrícola.
A experiência dos primeiros moradores também contribuiu para a escolha das culturas que seriam cultivadas comercialmente. As condições da região e os incentivos à produção de cereais favoreceram a expansão das lavouras de milho e trigo e, posteriormente, da soja.
Soja impulsionou a agricultura
A soja começou a ganhar viabilidade econômica no Oeste paranaense durante a primeira metade da década de 1970. Na segunda metade daquele período, o cultivo avançou e passou a ocupar áreas cada vez maiores no entorno de Cascavel.
No início dos anos 1980, a cultura já tinha presença expressiva na paisagem agrícola regional. A expansão ocorreu em um contexto de mudanças na produção rural brasileira, com políticas governamentais voltadas ao aumento da produtividade.
A oferta de crédito e as facilidades para a aquisição de máquinas e equipamentos ajudaram os produtores a ampliar a capacidade de trabalho nas propriedades. Com terras disponíveis, agricultores dispostos a investir e incentivos à atividade, a agricultura passou a ocupar o espaço econômico que antes era dominado pela exploração madeireira.
A transformação do Oeste paranaense foi resultado de décadas de ocupação, adaptação e investimento na produção. O avanço das lavouras preparou a região para uma nova etapa de desenvolvimento, marcada pela organização dos produtores e pela busca de soluções para armazenar e transportar os grãos.
No próximo capítulo dessa história, o destaque será o surgimento da União das Cooperativas Agrícolas do Oeste do Paraná e a contribuição das ferrovias para ampliar as possibilidades de escoamento da produção.