Campo Vivo

Setor moageiro prevê cenário crítico e alta dependência de trigo importado

19 abr 2026 às 10:00

Lideranças do setor moageiro reunidas no Paraná classificaram como crítico o cenário para o mercado de trigo nos próximos dois anos. O estado, que responde por 30% da produção nacional de farinha, lidera o segmento, mas enfrenta uma redução na área plantada, o que deve elevar a dependência de importações e o custo final para o consumidor de pães e biscoitos.


Para a safra 2025/2026, a estimativa de produção é de 6,5 milhões de toneladas, volume insuficiente para suprir a demanda interna de aproximadamente 14 milhões de toneladas. A expectativa é que o Brasil precise importar mais de 7 milhões de toneladas do cereal. No ciclo seguinte, 2026/2027, as projeções indicam que a necessidade de importação pode saltar para 8,2 milhões de toneladas.


A perda de espaço do trigo no Paraná ocorre devido ao avanço do milho safrinha e da cevada nas áreas de cultivo. Além da menor oferta interna, especialistas alertam para a queda na qualidade da proteína do trigo argentino, principal fornecedor do Brasil. Essa deficiência exigirá que os moinhos realizem misturas com grãos de outros países, o que encarece o processo produtivo devido ao custo logístico e cambial.


O reflexo desse cenário será sentido diretamente na indústria de derivados. Com a produção mais onerosa, itens básicos como a farinha de trigo, o pão francês e as massas devem registrar aumentos graduais de preço ao longo dos próximos dois ciclos agrícolas.