Londrina tem cerca de 90 residências com situações de acumulação, segundo o secretário municipal do Idoso, Ailton Nantes. O número é superior aos 84 imóveis mapeados anteriormente. Até o momento, o levantamento considera casas, já que não há informações concretas sobre apartamentos.
O assunto foi discutido no Tarobá Cidade, em entrevista com Nantes e Renata Cristina Araújo, psicóloga da Secretaria Municipal do Idoso. A identificação dos casos conta com o apoio de equipes como as de Endemias, que encontram situações de risco nas residências, incluindo possíveis focos de dengue, ratos e animais peçonhentos.
Segundo Renata, situações de perda e sofrimento podem desencadear o comportamento de acumulação de objetos ou animais. Em alguns casos, a pessoa perde a percepção da quantidade de materiais que consegue manter ou de animais que pode cuidar adequadamente.
O acompanhamento é realizado por uma rede formada por representantes de seis secretarias municipais, que trabalham em conjunto desde 2021. O grupo se reúne a cada dois meses para avaliar os casos, discutir dificuldades e alinhar as estratégias de atendimento.
A abordagem varia conforme cada situação. Quando a pessoa aceita ajuda, as equipes podem negociar a limpeza e a organização do imóvel. Em casos de recusa, quando há riscos e necessidade de intervenção, pode ocorrer uma limpeza compulsória, inclusive por determinação judicial.
O trabalho também considera as condições familiares e as necessidades de saúde das pessoas envolvidas, especialmente dos idosos. A Secretaria Municipal do Idoso avalia a possibilidade de reaproximação com familiares e, em último caso, o encaminhamento para uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), sempre respeitando a vontade da pessoa idosa.
Com a previsão de um verão chuvoso, a rede também discute medidas para imóveis com materiais acumulados em áreas abertas, devido à preocupação com o aumento do risco de dengue. Segundo Nantes, as ações dependerão da avaliação de cada caso e da atuação conjunta das secretarias, buscando reduzir os riscos à saúde pública sem deixar de considerar as necessidades individuais dos moradores.