O Governo Federal lançou o Desenrola 2.0, uma nova fase do programa de renegociação de dívidas que busca ajudar brasileiros com o nome negativado a voltarem ao mercado de crédito. A iniciativa é voltada principalmente para quem ganha até cinco salários mínimos e permite negociar débitos com descontos que podem chegar a 90%, dependendo do caso. Para entender mais sobre o assunto, o Vitrine Revista recebe a advogada trabalhista Caroline Paiva.
O Desenrola 2.0 chega em um momento em que o Brasil enfrenta um cenário preocupante: o endividamento das famílias bateu recorde histórico, com cerca de 80% dos lares brasileiros com algum tipo de dívida, além de mais de 81 milhões de pessoas inadimplentes no país. A advogada explica que o cartão de crédito é o maior responsável pelas dívidas, devido aos juros elevados.
Para participar do Desenrola 2.0, é preciso se enquadrar e seguir algumas regras do programa. Pessoas que ganham até cinco salários mínimos, aproximadamente R$ 8.105, podem participar e ficam impedidas de utilizar plataformas de apostas online, as chamadas bets, pelo período de 12 meses.
Diferente da primeira edição, nesta fase o interessado deve procurar diretamente a instituição bancária onde possui a dívida. Podem ser renegociados débitos de cartão de crédito, cheque especial e dívidas pessoais não consignadas em folha, com inadimplência entre 90 dias e dois anos, desde que tenham sido contraídas até 31 de janeiro de 2026.
A convidada destaca que existe um teto de R$ 15 mil por CPF, em cada instituição financeira, para a renegociação. Os descontos podem chegar a até 90%, dependendo do caso. Os juros podem ser de até 1,99% ao mês, mas é preciso atenção, pois a taxa ainda exige cautela por parte do consumidor.
Também é permitida a utilização de até 20% do saldo do FGTS, ou R$ 1 mil — o que for maior — para abater a dívida. O débito ainda pode ser parcelado em até quatro anos, com parcelas mínimas de R$ 50.