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Café arábica bate recorde histórico em 2025 e preços superam R$ 2,5 mil

Clima irregular e tarifas dos EUA impulsionaram cotações, aponta Cepea; safra brasileira sofreu com calor intenso e falta de chuvas no início do ano
24 dez 2025 às 16:00
Por: Band
Café era vendido com pedaços de vidro - Trilux

O mercado de café encerra 2025 marcado por uma volatilidade intensa e uma valorização sem precedentes, com o tipo arábica registrando os maiores preços reais de toda a série histórica iniciada em 1999. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a saca de 60 quilos atingiu a média recorde de R$ 2.565,41 ainda em fevereiro — valor já corrigido pela inflação —, impulsionada por gargalos na oferta global e severas intempéries climáticas que penalizaram as lavouras no Brasil.


O impacto do clima na produção


Embora a expectativa inicial fosse de uma safra brasileira ligeiramente superior à do ano anterior, o clima impôs desafios severos ao produtor rural. O ciclo começou difícil já no final de 2024, com o atraso das chuvas fundamentais para a florada. A situação se agravou no início de 2025. Entre fevereiro e março, as principais regiões cafeeiras do país enfrentaram um período prolongado de calor intenso combinado com baixa precipitação.


Esse cenário comprometeu o desenvolvimento fisiológico dos grãos, resultando em um balanço final de safra aquém do potencial produtivo das lavouras. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional foi estimada em 56,5 milhões de sacas. Mesmo com uma leve recuperação no volume colhido em comparação a ciclos de baixa anteriores, a quantidade foi insuficiente para recompor os estoques de passagem, mantendo o mercado pressionado.


Tarifa americana mexeu com o mercado


Além das questões agronômicas, fatores geopolíticos trouxeram turbulência adicional às cotações no segundo semestre. Dados do Cepea indicam que os preços do arábica se mantiveram acima de R$ 2.000,00 por saca durante praticamente todo o ano. A única exceção ocorreu em julho, momento tradicional de pressão de baixa devido à entrada da colheita no mercado físico.

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No entanto, o alívio nos preços durou pouco. Ainda no final de julho, os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifação sobre produtos importados do Brasil. A medida adicionou uma sobretaxa de 40% aos 10% que já haviam sido anunciados em abril, totalizando uma barreira tarifária de 50%. Essa decisão gerou incertezas imediatas na cadeia exportadora e fez as cotações dispararem novamente.


O cenário só se normalizou em novembro, quando a sobretaxa foi retirada, movimento que, ironicamente, deu novo fôlego às cotações devido ao aquecimento da demanda reprimida.


Cenário do café robusta e contexto global


Não foi apenas o arábica que viveu um ano atípico. O café robusta (conilon) também registrou, em fevereiro, a maior média real de sua série histórica, sustentado por uma oferta restrita no mercado internacional.


Pesquisadores apontam que a quebra de safra no Vietnã — o maior produtor global da variedade robusta — foi determinante para esse cenário. A produção vietnamita ficou abaixo do projetado, obrigando a indústria global a buscar alternativas. Apesar da boa safra brasileira de robusta ter trazido algum alívio e pressão de baixa nos preços ao longo do ano, o mercado termina 2025 ainda em alerta.


A demanda global pela bebida permaneceu firme durante quase todo o período, dando sinais de enfraquecimento apenas a partir do segundo semestre, especialmente no mercado interno brasileiro, onde o repasse de custos ao consumidor final se tornou inevitável.


Para o próximo ciclo, as incertezas climáticas voltam ao radar. Tanto no Brasil quanto no Vietnã, o clima no final deste ano volta a influenciar as expectativas, mantendo o ambiente de instabilidade e atenção redobrada para o produtor rural.

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