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Instituto de Pesca cria 1º banco genético de tilápia do Brasil

Estudo do Instituto de Pesca analisou peixes de cinco estados; "arquivo vivo" busca garantir diversidade e aumentar produtividade na aquicultura
17 jan 2026 às 13:31
Por: Band

Pesquisadores do Instituto de Pesca (IP-Apta), órgão à Secretaria de Agricultura de São Paulo, desenvolveram um estudo inédito que resultou na criação do primeiro banco de germoplasma de tilápia-do-nilo em território nacional. A iniciativa, realizada em parceria com universidades brasileiras e internacionais, analisou populações da espécie em diferentes regiões do país para criar uma estrutura capaz de preservar a diversidade genética e subsidiar o futuro da piscicultura brasileira.


O estudo foi publicado recentemente na revista científica Critical Insights in Aquaculture. A pesquisa avaliou nove populações de tilápia provenientes de cinco estados: São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Ceará. Esses locais representam importantes estoques comerciais e diferentes origens de cultivo no Brasil.


A tilápia é, atualmente, o peixe mais produzido no país e a principal espécie da aquicultura nacional, o que torna o estudo estratégico para a economia do setor.

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O "seguro genético" da piscicultura

O principal resultado do trabalho é a estruturação de um banco de germoplasma amplo. Na prática, essa estrutura funciona como um "arquivo vivo". Ela reúne e preserva diferentes linhagens da espécie, garantindo que o material genético não se perca ao longo do tempo.


O banco foi instalado na Divisão Avançada de Pesquisa e Desenvolvimento do Pescado Continental do Instituto de Pesca, localizada em São José do Rio Preto (SP). Os peixes são mantidos in situ, ou seja, conservados vivos no próprio local de criação.


Fernando Stopato da Fonseca, pesquisador do IP e um dos responsáveis pelo estudo, define a importância da estrutura para o produtor rural. "O banco de germoplasma funciona como um verdadeiro seguro genético da tilápia no Brasil", afirma Fonseca. Segundo o especialista, a ferramenta "garante a preservação de linhagens importantes, apoia pesquisas futuras e contribui diretamente para a sustentabilidade da aquicultura".


Tecnologia para avaliar o rendimento

Para chegar a esses resultados, os cientistas utilizaram tecnologias avançadas na análise dos peixes. Foram avaliadas características corporais (fenotípicas) como comprimento, peso e altura. Além disso, o potencial de rendimento de filé — dado crucial para o lucro do produtor — foi medido por meio de ultrassonografia.


Também foram realizadas avaliações genéticas profundas através de marcadores moleculares. Os resultados mostraram um cenário curioso. Visualmente, não há grandes diferenças físicas entre as tilápias das diferentes regiões. No entanto, a análise molecular revelou uma expressiva diversidade genética, com níveis distintos de isolamento entre os estoques.


Alerta sobre cruzamentos e endogamia

O estudo traz um alerta importante para quem vive da criação de peixes. Os pesquisadores identificaram níveis preocupantes de endogamia em algumas populações. A endogamia ocorre quando há cruzamentos entre indivíduos parentes ou geneticamente muito próximos. Isso é comum em linhagens mais antigas e pode comprometer o desempenho produtivo, gerando peixes mais fracos ou menores ao longo das safras. Por outro lado, a diversidade encontrada no mapeamento geral é uma oportunidade. Ela permite a formação de novas populações-base para programas de melhoramento genético.


Com as informações do novo banco de dados, será possível desenvolver linhagens "sob medida" para a realidade do Brasil. O objetivo é criar peixes adaptados às condições climáticas específicas de cada região. No Sul, por exemplo, o foco pode ser em animais mais tolerantes ao frio. Já no Nordeste, a prioridade seriam linhagens resistentes ao calor intenso e à salinidade da água.


Outra vertente é o desenvolvimento de peixes com maior rendimento de carcaça, o que impacta diretamente na indústria de processamento. Segundo os autores da pesquisa, essas estratégias são fundamentais para reduzir custos operacionais dos produtores. Além disso, a iniciativa fortalece a segurança alimentar, garantindo oferta de pescado de qualidade e a sustentabilidade da atividade a longo prazo.

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