Pressão na oferta e liberação de armazéns
Do lado de quem vende, o comportamento também mudou. Parte dos produtores rurais, com receio de que os preços caiam ainda mais e com a necessidade urgente de liberar espaço nos armazéns para a safra de soja, mostrou-se mais flexível nas negociações.
Essa postura resultou em uma maior aceitação de valores mais baixos para garantir o escoamento do grão. A dinâmica de mercado reflete a pressão logística comum nesta época do ano, quando a colheita da oleaginosa começa a ganhar ritmo em todo o país.
Estoques de milho superam a média histórica
Tradicionalmente, a colheita da soja e a maior demanda por fretes para o transporte da oleaginosa costumam sustentar os preços do milho nas primeiras semanas do ano. No entanto, em 2026, um fator específico tem impedido qualquer reação nas cotações: o volume recorde de grãos estocados.
As estimativas apontam que os estoques de milho estão em níveis extremamente elevados para este início de temporada. São aproximadamente 12 milhões de toneladas armazenadas, um salto gigantesco em comparação aos 1,8 milhão de toneladas registrados no mesmo período de 2025. O volume atual também supera a média das últimas cinco safras, que é de 9,2 milhões de toneladas.
Cenário para os próximos meses
Com a entrada da safra de verão e a manutenção de estoques elevados, o mercado de milho deve continuar enfrentando desafios para a recuperação de preços. A logística de transporte e a capacidade de armazenagem serão pontos críticos para o produtor brasileiro.
Analistas do setor reforçam que a tendência das cotações dependerá do ritmo das exportações e da demanda da indústria de proteína animal, que consome o grão para a fabricação de rações. Enquanto o excedente de oferta não for absorvido, a pressão sobre o Indicador Cepea deve permanecer no curto prazo.