Cerca de 2.000 pessoas morreram durante as duas semanas de
protestos no Irã, disse uma autoridade iraniana hoje. Números de ONGs, porém,
estimam mais de 700 mortos.
O que aconteceu
Esta é a primeira vez que as autoridades reconheceram o alto
número de mortos. À agência Reuters, a autoridade iraniana disse que
"terroristas" estavam por trás das mortes de manifestantes e do
pessoal de segurança, sem detalhar mais sobre os mortos.
Já a ONG Iran Human Rights (IRH) diz que pelo menos 734
manifestantes teriam sido mortos. Protestos começaram em 28 de dezembro de 2025
no país. Segundo a organização, o número de mortos inclui nove jovens menores
de 18 anos, e milhares também ficaram feridos.
Números divergem enquanto país segue em apagão digital. O
irã está há mais de 108 horas sem internet, de acordo com a NetBlocks,
organização global de segurança cibernética. O relato é de que a internet fixa,
os dados móveis e as chamas telefônicas estão desativados, enquanto outros
meios de comunicação também estão cada vez mais visados.
Ao menos 2.600 pessoas foram presas, ainda segundo a IRH.
Não há, porém, detalhes de sexo e idade dos detidos.
Iranianos furam bloqueio e se comunicam com o exterior
Em ligações, pessoas contaram que a presença de policiais
armados na rua é grande. A maioria deles está trajada com capacetes, coletes,
escudos, armas e sprays de gás lacrimogêneo, segundo as testemunhas.
Bancos e prédios públicos foram queimados durante os
protestos, conforme relatos. Caixas eletrônicos também foram danificados e a
falta de internet na região prejudica as transações financeiras feitas no país.
O comércio de Teerã segue aberto. Um dos moradores que
entrou em contato com a AP contou que as forças de segurança obrigaram os
comerciantes a reabrirem loja, mesmo sob medo de novos protestos. A informação
foi negada pelo governo local.
Starlink está sendo usada por alguns iranianos, segundo a
agência de notícias Reuters. Citando três fontes, a agência afirmou hoje que,
apesar de estar com instabilidade, há pessoas burlando o bloqueio à internet
com a ferramenta de Elon Musk.