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Comissão do Senado que investigará Master quer questionar Lula e Galípolo

O grupo composto por 12 senadores planeja sessões de depoimentos, análise de documentos e possíveis mudanças legislativas para ampliar a fiscalização do BC
04 fev 2026 às 15:22
Por: UOL
Reprodução/X Lula

 Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, apresentou o plano do trabalho iniciado hoje por um grupo de membros do colegiado que vai acompanhar as investigações sobre a derrocada do Banco Master. Calheiros disse que a comissão enviará questionamentos até ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e se reunirá com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.


Um grupo de 12 senadores da CAE vai acompanhar as investigações sobre o caso do Banco Master realizadas pela Polícia Federal, pelo BC e outras autoridades. De acordo com Calheiros, o colegiado deve realizar sessões de depoimentos e solicitar acesso a documentos, inclusive materiais sob sigilo.


"É dever desta comissão vasculhar o pântano do Banco Master e suas ramificações, doa a quem doer. Tudo o que se faz no sistema financeiro deixa digitais. Trata-se de um tabuleiro que negociava CDBs com remuneração irreal, muito acima do mercado e que, obviamente, mergulhou em um grave problema de liquidez. Para driblar uma insolvência certa, já esperada pelo mercado, esses trapaceiros -- e peço desculpas, mas não há outro nome mais adequado -- tentaram vender um banco quebrado, sem ativos ou com ativos podres, a uma instituição pública. O trambique teve seu desfecho com a liquidação do Banco Master, em novembro do ano passado. No meu modo de ver, e também na avaliação de muitas pessoas que conhecem o assunto, tratou-se de uma liquidação tardia." - Senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE


Um dos objetivos do colegiado será propor mudanças na legislação para ampliar o poder do BC, segundo o presidente da CAE. O senador afirmou que, ao final dos trabalhos da comissão, a CAE deve votar alterações legais para permitir que a autoridade monetária faça uma fiscalização mais direta sobre fundos e aplicações financeiras.


Haverá também uma análise do envolvimento da classe política na crise do Master. Calheiros criticou o fato de o dono do Master, Daniel Vorcaro, ter sido recebido por Lula. Segundo "O Globo", o banqueiro esteve no Planalto entre 2023 e 2024. A Presidência da República nega que o banqueiro esteve com o petista.

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"Estavam na Presidência o ministro da Fazenda, Fernando Haddad; o [então] presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto; o chefe da Casa Civil, Rui Costa; o líder do governo no Senado Federal, Jaques Wagner; e o ex-ministro Guido Mantega. O que faziam lá? O que defendiam? Essa conversa foi significativa? O que, de fato, foi conversado? Todos os que estiveram na reunião podem colaborar com esta comissão. Ao presidente da República, pretendemos encaminhar por escrito algumas perguntas sobre o fato. Se ele puder respondê-las, ótimo.", diz o Senador. 


Composição e plano de trabalho

Farão parte do grupo 12 senadores da CAE e quatro suplentes. Os titulares serão Fernando Farias (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-AM), Esperidião Amin (PP-SC), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Alessandro Vieira (MDB-SE), Leila Barros (PDT-DF), Damares Alves (Republicanos-DF), Soraya Thronicke (Podemos-MS), Omar Aziz (PSD-AM), Humberto Costa (PT-PE), Izalci Lucas (PL-DF) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Como suplentes, foram indicados Fernando Dueire (MDB-PE), Jorge Kajuru (PSB-GO), Nelsinho Trad (PSD-MS) e Elisiane Gama (PSD-MA).


Na etapa inicial da investigação, autoridades envolvidas nas investigações serão convidadas a conversar com a comissão. O grupo de trabalho chamará, por exemplo, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin; o presidente do BC, Gabriel Galípolo; o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues; e o presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministro Vital do Rêgo.

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