A produção de cachaça artesanal no Espírito Santo reflete o aquecimento do setor em âmbito nacional, impulsionado pela diversificação de rótulos e pela expansão nas exportações. A trajetória da família do produtor Eduardo, que fabrica o destilado no município de Guarapari, ilustra a consolidação de um mercado que já reúne mais de 1.538 produtores oficiais no Brasil.
O empreendimento familiar começou há 15 anos de forma despretensiosa, na cidade de Santa Maria de Jetibá (ES). Com a consolidação da marca, o negócio expandiu a presença para 970 pontos de venda em 26 estados brasileiros. No cenário internacional, a produção capixaba alcança consumidores em 18 países e integrou a carta de apresentações em encontros internacionais do S20.
Conhecido na região como "o alemão", Eduardo comanda a fábrica ao lado de Frida e Eduardo Neto. De acordo com o produtor, o portfólio da marca conta atualmente com 45 rótulos, cujos períodos de maturação variam entre 1 e 10 anos. A qualidade do destilado rendeu o reconhecimento internacional com a conquista da medalha de ouro no concurso de Bruxelas, na Bélgica.
Envelhecimento em madeiras e rigor na destilação
O diferencial da bebida capixaba está na combinação dos processos de envelhecimento. A empresa utiliza tonéis de carvalho europeu, francês e americano, além de barris importados da Escócia — originalmente empregados na produção de whisky — e espécies nativas brasileiras, como amburana, jequitibá, barroso e jaqueira.
Para manter o padrão de qualidade, o processo fabril segue proporções rígidas: são necessários 12 litros de caldo de cana-de-açúcar para a obtenção de apenas 1 litro de cachaça artesanal. Durante o processo de alambique, os produtores realizam o corte das frações e aproveitam exclusivamente o "coração" da destilação — descartando as porções iniciais ("cabeça") e finais ("cauda"). A avaliação final de pureza é atestada pelo "teste das lágrimas", que mede a viscosidade do líquido em taça.
Panorama do setor e avanço das exportações
O crescimento da marca capixaba acompanha os dados consolidados no anuário do Ministério da Agricultura. A atividade do setor está presente em 844 municípios brasileiros — com exceção apenas de Roraima e Amapá —, gerando um volume produtivo superior a 234 milhões de litros por ano.
O estado de Minas Gerais lidera o ranking nacional em quantidade de produtores, seguido por São Paulo e Rio Grande do Sul. Levantamento do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) indica a existência de mais de 8 mil marcas e produtos registrados no país.
No comércio exterior, a cachaça brasileira atinge 76 países. O Paraguai figura como o principal mercado receptor em volume de produto, enquanto os Estados Unidos lideram o faturamento total. As exportações do setor registraram alta de aproximadamente 20% em volume, alcançando 7,96 milhões de litros e movimentando uma receita de 17 milhões de dólares, com a geração de mais de 6,2 mil postos de trabalho diretos.