A preservação de nascentes tem papel fundamental na garantia do abastecimento de água para as cidades. Em Rio Verde, Goiás, um programa incentiva produtores rurais a proteger essas áreas e adotar práticas sustentáveis que ajudam a manter a quantidade e a qualidade da água.
Mais de 200 mil moradores de Rio Verde são abastecidos por três microbacias hidrográficas, que ocupam uma área de mais de 15 mil hectares. Entre elas está o Ribeirão Abóbora, responsável por cerca de 70% do abastecimento da cidade e de indústrias.
Na região, foram catalogadas 109 nascentes. Deste total, 37 estão preservadas, 16 estão em processo de regeneração e sete são consideradas degradadas.
Programa incentiva produtores
Uma das iniciativas de conservação é o Programa Produtor de Água, que há 15 anos incentiva agricultores a adotarem práticas que ajudam a preservar os recursos hídricos.
Entre as ações estão medidas para reduzir a erosão, aumentar a infiltração da água no solo e recuperar áreas degradadas.
Os produtores recebem uma remuneração como incentivo pela preservação das nascentes. A iniciativa contribui para manter uma maior vazão de água, principalmente durante períodos de estiagem, além de ajudar na qualidade do recurso.
Recuperação de áreas degradadas
O trabalho também envolve a recuperação da vegetação nativa e das matas ciliares. A Secretaria de Meio Ambiente já ajudou a plantar mais de 28 mil mudas de árvores nativas do Cerrado.
As áreas de preservação permanente recebem cercas para evitar a degradação e proteger as nascentes. O projeto também conta com ações de educação ambiental, envolvendo crianças, estudantes e produtores rurais.
Alunos participam do plantio de mudas e acompanham na prática as ações de recuperação realizadas nas propriedades.
Da nascente até a torneira
O cuidado com as nascentes é apenas uma das etapas para que a água chegue até as casas. Depois de percorrer rios e córregos, o recurso passa por estações de captação, tratamento e distribuição antes de chegar às torneiras.
A importância desse processo também é percebida por moradores que viveram uma realidade diferente no passado. Dona Creuza lembra que, durante a infância, era preciso retirar água de cisternas ou até ir até o rio para lavar roupas e buscar água para preparar os alimentos.
Hoje, a situação é diferente, mas a preservação continua sendo necessária para garantir o abastecimento no futuro.
O trabalho envolve produtores rurais, profissionais de engenharia, pesquisadores, poder público e a população. Além das ações realizadas no campo, atitudes simples dentro de casa também ajudam a reduzir o desperdício.
Entre elas estão diminuir o tempo no banho, reaproveitar a água da máquina de lavar e manter a torneira fechada durante a escovação dos dentes.
A preservação das nascentes, portanto, começa no campo, mas tem impacto direto na cidade. Proteger uma nascente também significa ajudar a garantir água para quem depende dela todos os dias.