A colheita do trigo no Paraná se avizinha sob forte apreensão da agroindústria e dos produtores rurais. Estimativas apontam que a safra paranaense deve atingir cerca de 2,2 milhões de toneladas, o que representa um recuo de 21% na comparação com o ciclo anterior. O cenário de retração e seus impactos econômicos foram o tema central do 9º Café Moageiro, evento organizado pelo Sindicato do Trigo do Paraná (Sinditrigo) nesta sexta-feira em Londrina.
A área cultivada com o cereal no estado encolheu 13,5%, somando aproximadamente 740 mil hectares. A desmotivação dos agricultores com a rentabilidade da cultura, somada à redução de incentivos governamentais e ao menor aporte tecnológico nas lavouras, levou muitos produtores a migrarem para o cultivo do milho safrinha.
A queda na oferta local amplia o descompasso com a demanda da indústria moageira instalada no estado. Os moinhos paranaenses processam anualmente 3,85 milhões de toneladas de trigo, volume muito superior à produção projetada para esta safra. Para suprir o abastecimento nacional, o Brasil deverá importar cerca de 9 milhões de toneladas do grão, recorrendo prioritariamente a países como Argentina, Paraguai e Uruguai.
O cenário de escassez é agravado pela conjuntura internacional. Grandes países exportadores sofreram quebras de safra, elevando os preços internacionais da commodity. Como reflexo, os moinhos brasileiros enfrentarão custos elevados de matéria-prima importada, pressionando as margens de lucro diante da dificuldade de repassar integralmente os aumentos para o preço final da farinha de trigo.