O recente ciclo de valorização do dólar no mercado financeiro acendeu o alerta para oportunidades na comercialização antecipada das safras 2026 e 2027. Após operar na faixa entre R$ 5,05 e R$ 5,10, a moeda americana registrou picos de até R$ 5,24, movimento analisado pelo consultor Ismael Menezes, da AMD Commodities, no quadro Em Dia com o Mercado.
A escalada do câmbio é sustentada por três fatores principais: o acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, o corte na taxa básica de juros (Selic) de 14,25% para 14% ao ano e as incertezas em relação ao cenário fiscal brasileiro no longo prazo. A combinação desses elementos impulsionou as projeções na curva do câmbio futuro (NDF).
Para os produtores que comercializam commodities precificadas em dólar, como a soja, o pico da cotação à vista levou a projeção para abril de 2027 ao patamar de R$ 5,47. A elevação do dólar futuro resulta da incidência da taxa de juros sobre a curva de longo prazo, garantindo maior faturamento em reais no momento da liquidação dos contratos.
Menezes adverte, contudo, que a passagem do tempo reduz o efeito dos juros sobre a curva futura. À medida que a data do vencimento se aproxima, o câmbio à vista precisará registrar altas ainda mais expressivas para atingir os mesmos níveis de faturamento atualmente projetados. A orientação técnica sugere o aproveitamento das janelas de volatilidade para garantir margens de rentabilidade nas safras futuras.