Agro

Cultivo de cannabis pode render US$ 9 mil por hectare e superar a soja

28 jul 2026 às 21:44

O cultivo de Cannabis no Brasil segue restrito aos fins medicinais, farmacêuticos e de pesquisa científica. Apesar das limitações regulatórias, cresce o debate sobre as oportunidades econômicas que uma flexibilização da produção poderia trazer para uma potência agrícola como o país.


Uma das experiências mais citadas é a do Uruguai, pioneiro em transformar a regulamentação da planta em um mercado rentável.


É justamente essa bagagem que pauta a ExpoCannabis 2026, considerada a maior feira de negócios, ciência e cultura sobre o tema na América Latina. Franquia oficial do evento uruguaio, a feira chega à sua 4ª edição como o principal ponto de encontro do setor em solo nacional.

Em um encontro preparatório no Consulado do Uruguai, especialistas se reuniram para debater o avanço do cultivo no Brasil e no mundo, além do impacto financeiro e industrial dessas transformações.

A CEO da ExpoCannabis 2026, Larissa Uchida, enfatizou a rentabilidade da planta e o impacto econômico que o cultivo pode gerar para os produtores agrícolas brasileiros, comparando a cultura com commodities já consolidadas.

"When o produtor analisa o lucro líquido por hectare, a diferença é marcante: enquanto na soja obtém-se em torno de R$ 3 mil por hectare cultivado, na cannabis esse valor pode chegar a US$ 9 mil de lucro líquido por hectare", destaca ela em entrevista ao Band.com.br.

A executiva avalia que o país reúne vocação e condições favoráveis para liderar a produção global da lavoura com o avanço da regulamentação.


Cadeia industrial e impacto econômico

Além das aplicações em saúde, o aproveitamento industrial do vegetal atinge setores como alimentos, tecidos, construção civil, biocombustíveis e bioplásticos.

"A discussão vai muito além do remédio e do acesso à saúde. Estamos falando de toda uma cadeia industrial que pode ser impactada pelo cultivo da cannabis", salientou Larissa Uchida, prevendo a presença de até 50 mil pessoas na edição de 2026 do evento.


O CEO da Kaya Mind, Thiago Cardoso, ressalta que mais de 600 empresas atuam na importação e distribuição nacional, além de citar o papel da rentabilidade para quebrar barreiras no setor produtivo.

"Grupos que hoje se opõem tendem a mudar de posição quando perceberem o impacto financeiro prático que isso pode trazer", projeta Cardoso.

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