O protagonismo das mulheres no agronegócio brasileiro é tema de um documentário anunciado nesta quinta-feira (15), data em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher Rural. A produção retrata a atuação feminina na produção agrícola, na ciência e no empreendedorismo, destacando histórias de liderança e colaboração no campo.
O documentário acompanha a rotina de 12 profissionais de diferentes regiões do Brasil, entre produtoras rurais, cientistas e empreendedoras. A estreia está prevista para 18 de novembro, em São Paulo, com distribuição posterior pelas plataformas de streaming. O projeto conta com apoio da BASF Soluções para Agricultura, por meio da Lei Rouanet.
Mulheres ampliam participação nas decisões
O anúncio coincide com a divulgação do estudo “Perfil da Mulher do Agronegócio Brasileiro: 10 anos de transformação e avanços”, realizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).
Segundo a pesquisa, as mulheres representam 40% dos 10,7 milhões de produtores rurais que tomam decisões estratégicas no agronegócio brasileiro.
O levantamento também aponta avanços na formação profissional e na participação feminina na gestão das propriedades. Em 2015, 60% das mulheres entrevistadas tinham ensino superior completo. Em 2026, o índice chegou a 77%, aumento de 17 pontos percentuais.
A proporção de entrevistadas que são proprietárias totais ou parciais dos negócios rurais também cresceu, passando de 81% para 91% no período. Os dados indicam maior presença das mulheres tanto na administração quanto na condução das atividades do campo.
Mulheres como agentes de transformação
A diretora do documentário, Patricia Travassos, estabelece um paralelo entre a atuação das mulheres no agronegócio e o trabalho das abelhas, responsáveis pela polinização de mais de 70% dos cultivos agrícolas.
A comparação representa a rede de colaboração formada por profissionais que compartilham conhecimento, difundem boas práticas agrícolas e estimulam a inovação nas propriedades rurais.
Entre as participantes do filme estão a engenheira agrônoma Ligia Jung, produtora rural em Floresta, no Paraná, e Alessandra Zanotto Costa, produtora em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia.
Ligia destaca que o projeto reconhece uma contribuição feminina presente há gerações nas propriedades rurais. Para ela, a combinação de diferentes experiências e perspectivas ajuda a aprimorar os resultados da atividade agrícola.
Tecnologia e sustentabilidade no campo
O estudo da ABAG também identificou a presença crescente de ferramentas tecnológicas na rotina das produtoras. Segundo a pesquisa, 71% das gestoras entrevistadas utilizam tecnologias como drones, telemetria, sistemas de gestão e outras soluções digitais, de forma independente ou parcialmente independente.
O levantamento ainda destaca a importância do planejamento, do acesso ao crédito, da capacitação profissional e das redes de apoio para fortalecer a participação feminina no setor.
A gerente de Sustentabilidade da BASF Soluções para Agricultura Brasil, Camila Montebelli, avalia que a liderança das mulheres contribui para a eficiência e a sustentabilidade das propriedades.
A iniciativa ganha destaque também durante o Ano Internacional da Mulher Agricultora, celebrado em 2026, que busca ampliar o reconhecimento da contribuição feminina para a produção de alimentos e o desenvolvimento rural. (Ministério das Mulheres)