O setor cafeeiro brasileiro iniciou 2026 enfrentando um cenário de retração nas exportações de café e ajustes expressivos nos preços internos. De acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, o volume exportado em janeiro foi de 2,78 milhões de sacas, o pior desempenho para o mês desde a temporada 2017/18.
A queda acentuada nas vendas externas tem explicações diretas. Pesquisadores do Cepea apontam que os estoques apertados, resultado de uma safra menor em 2025/26, reduziram a disponibilidade do produto. Além disso, os preços elevados praticados anteriormente afastaram compradores internacionais, enquanto o mercado opera em uma espécie de “janela de espera”, aguardando a entrada da nova safra entre maio e junho.
No mercado doméstico, o movimento é inverso. Com a expectativa de uma safra recorde em 2026, os preços já acumulam quedas relevantes. O café arábica tipo 6 (bebida dura) registra recuo de cerca de 14%, enquanto o café robusta tipo 6 (peneira 13 acima) apresenta queda ainda maior, de aproximadamente 17%, segundo o indicador CEPEA/ESALQ.
Diante desse cenário, o produtor brasileiro enfrenta um momento delicado. A combinação de baixa exportação, oferta crescente e pressão nas cotações exige cautela nas negociações. A tendência, no curto prazo, é de continuidade da desvalorização até que o mercado absorva a nova safra e o fluxo internacional volte a se normalizar.