Uma paralisação sindical no principal polo agroexportador da Argentina interrompeu as atividades em terminais portuários e indústrias de processamento de grãos, ampliando a tensão em um setor decisivo para a geração de divisas. A medida ocorre em meio ao debate sobre mudanças na legislação trabalhista e reacende a discussão sobre competitividade e direitos laborais no coração do modelo agroindustrial do país.
O Sindicato de Obreros y Empleados Aceiteros e a Federación Sindical Marítima y Fluvial aderiram à greve geral convocada pela CGT e iniciaram um cessar total de atividades no cordão industrial do Grande Rosário. A paralisação atinge 17 terminais entre San Lorenzo e Timbúes e duas plantas em San Jerónimo Sud. A região concentra a maior capacidade de esmagamento de soja do mundo e responde por cerca de 80% das exportações argentinas de farelo e óleo, base do valor agregado que diferencia o país no comércio internacional.
Cada dia sem operação significa navios parados, aumento de custos logísticos e pressão sobre contratos externos. Em plena safra de verão, com margens ajustadas por impostos sobre exportação e distorções cambiais, a interrupção acrescenta incerteza a uma cadeia que já opera no limite.
O sindicato classifica o projeto de modernização trabalhista como um retrocesso e afirma que a proposta compromete direitos previstos em convenções coletivas. Já a Câmara da Indústria Aceitera e o Centro de Exportadores de Cereais defendem a iniciativa e avaliam que o mercado precisa se adaptar a novas tecnologias. Como o agro responde por mais de 60% das divisas argentinas, o impasse ultrapassa a esfera sindical e alcança a economia.