O mercado interno de algodão em pluma atravessa um período de lateralidade, com negociações travadas e agentes adotando postura cautelosa. Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada indicam que o equilíbrio entre oferta de lotes de qualidade e uma demanda sem grandes oscilações tem limitado a liquidez no mercado spot brasileiro.
A baixa movimentação recente é atribuída a três fatores principais. O período pós-Carnaval e entraves logísticos levaram muitos compradores e vendedores a adiar o fechamento de contratos para a segunda quinzena de fevereiro. No consumo interno, indústrias têxteis acompanham vendas de tecidos e roupas abaixo do esperado em alguns segmentos, o que reduz o apetite por novas aquisições de matéria-prima. Ao mesmo tempo, produtores que detêm pluma de qualidade superior mantêm firmeza nas pedidas, aguardando oportunidades melhores, especialmente no mercado externo.
No campo, a Companhia Nacional de Abastecimento projeta produção de 3,8 milhões de toneladas para a safra 2025/26, volume 6,7% inferior ao recorde anterior. Ainda assim, o Brasil deve colher a segunda maior safra de sua história. A área cultivada recuou 3,2%, para 2,018 milhões de hectares, enquanto a produtividade média é estimada em 1.884 kg/ha, queda de 3,6% influenciada por ajustes de manejo e variáveis climáticas.
Com o plantio praticamente concluído, as atenções se voltam ao desenvolvimento das lavouras em estados como Mato Grosso e Bahia, principais polos da cotonicultura nacional. A estabilidade atual dos preços deve ser testada nas próximas semanas, conforme a demanda industrial se reorganize para atender às coleções de inverno.