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Mudanças climáticas podem causar 'invasão' de cobras em cidades do Brasil

Enchentes provocaram a fuga de 900 cobras na China; especialistas alertam para possível aumento de cobras e serpentes no Brasil
11 jul 2026 às 13:32
Por: Band

As fortes enchentes que atingem o sul da China provocaram a fuga de cerca de 900 serpentes de um criadouro na cidade de Hengzhou, localizada na região autônoma de Guangxi. A destruição de parte da fazenda de criação pelas águas espalhou os animais pela área urbana e rural, e a população ficou em pânico.


A inundação foi causada por dias de chuva intensa decorrentes da passagem do tufão Maysak. O volume de água provocou o transbordamento e o rompimento de reservatórios na região. Especialistas alertam, porém, que as mudanças climáticas e o possível ‘super’ El Niño, previsto para atingir o Brasil nos próximos meses, também podem por em risco a população brasileira. Isso porque com a instabilidade do clima, as cobras podem até invadir as cidades.


Isso ocorre porque as mudanças climáticas - e os eventos climáticos severos que chegam com o El Niño - alteram o habitat natural de animais silvestres. De acordo com a professora Marcela Aldrovani, da Universidade de Franca (Unifran), eventos extremos como tempestades, calor intenso, enchentes ou estiagens prolongadas afetam a disponibilidade de abrigo e alimento para a fauna. E, nesse cenário, o deslocamento de répteis aumenta expressivamente e, portanto, encontrar uma cobra em uma área urbana pode ser comum.


Apesar do susto, Marcela ressalta que não é preciso matar o animal e alerta para a educação ambiental. "O principal mito que ainda enfrentamos é a ideia de que toda cobra é perigosa, agressiva e deve ser morta quando aparece. Esse preconceito transforma um animal silvestre em inimigo antes mesmo de qualquer avaliação real de risco", explica Marcela Aldrovani.

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Comportamento preventivo e primeiros socorros


A professora esclarece que, mesmo entre as espécies peçonhentas, o comportamento mais comum das serpentes é tentar fugir. Grande parte dos acidentes ofídicos acontece quando o animal é pisado, encurralado ou quando uma pessoa tenta capturá-lo ou matá-lo por conta própria. Diante de um encontro com o réptil em casa ou no quintal, a orientação inegociável é manter a calma e afastar-se, isolando crianças, idosos e animais domésticos.


Em caso de avistamento, o morador deve isolar o ambiente e acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, a Polícia Ambiental ou o órgão de zoonoses do município. Marcela enfatiza o que nunca deve ser feito: jogar veneno, água quente ou fogo no animal, nem tentar prendê-lo com baldes ou cabos de vassoura.


Para os pets, que são vítimas frequentes por curiosidade, a recomendação é retirá-los do local e, se houver suspeita de picada, levá-los ao veterinário imediatamente, sem fazer torniquetes ou aplicar remédios caseiros.


Se um acidente atingir seres humanos, o protocolo correto de primeiros socorros consiste em lavar o local afetado com água e sabão, manter a vítima em repouso e buscar atendimento médico de urgência. Procedimentos antigos como realizar cortes, sucção do veneno ou aplicação de torniquetes são expressamente condenados, pois agravam o quadro clínico. O tratamento hospitalar avaliará a necessidade do soro antiveneno específico.

Importância ecológica e o papel na medicina

As serpentes desempenham uma função ecológica vital que ultrapassa o mero controle da população de roedores. Elas atuam como predadoras e presas, regulando os ecossistemas de biomas como o Cerrado, a Mata Atlântica e a Amazônia. A presença dessas espécies em áreas de transição ecológica ajuda a revelar a importância desses espaços como corredores estratégicos para a conservação ambiental.

Além do equilíbrio na fauna, as serpentes são ativos valiosos para o desenvolvimento científico e médico. A peçonha é uma fonte rica em moléculas para a fabricação de medicamentos essenciais. O captopril, remédio anti-hipertensivo amplamente utilizado, foi desenvolvido a partir de pesquisas com compostos do veneno da jararaca, contando com contribuição de cientistas brasileiros. Outro avanço nacional é o selante heterólogo de fibrina, uma cola biológica cicatrizante produzida a partir de uma enzima obtida do veneno da cascavel.

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