O Governo Federal reconheceu oficialmente o estado de emergência em Dourados, Mato Grosso do Sul, devido ao avanço crítico da chikungunya. O cenário é alarmante, com o epicentro do surto localizado na Reserva Indígena de Dourados, onde a concentração de casos e a confirmação de óbitos mobilizaram uma força-tarefa do Ministério da Saúde.
A situação epidemiológica do município revela uma rapidez preocupante na transmissão do vírus. De acordo com os dados mais recentes, a cidade já ultrapassou a marca de 1.314 casos confirmados. Até agora, foram confirmados 5 óbitos, todos registrados dentro da Reserva Indígena. Entre as vítimas estão idosos e bebês com idades entre 1 e 3 meses.
Aproximadamente 70% dos registros estão concentrados nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Em regiões críticas, a taxa de exames positivos chega a superar 74%, indicando uma circulação viral intensa.
Para conter a crise, o Ministério da Saúde e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional estruturaram uma operação de guerra na região. O governo enviou 50 agentes de combate às endemias para atuação exclusiva no território indígena, unindo-se aos 40 profissionais da Força Nacional do SUS que já operam na área. No âmbito financeiro, foram liberados R$ 900 mil para vigilância e assistência, além de um plano de trabalho de R$ 974 mil aprovado pela Defesa Civil Nacional.
Mato Grosso do Sul recebeu um lote estratégico de 46 mil doses da vacina contra a chikungunya, priorizando as cidades de Dourados e Itaporã. Além da imunização, a assistência humanitária inclui a entrega de 6 mil cestas de alimentos até junho e a realização de mais de 1,4 mil atendimentos médicos emergenciais.
A Prefeitura de Dourados intensificou o combate ao mosquito Aedes aegypti com estratégias urbanas e ampliação do atendimento, com a instalação de dispositivos com larvicidas em pontos estratégicos e retirada massiva de lixo e criadouros em bairros com alta incidência. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) Seleta e Santo André agora funcionam em horário especial, das 18h às 22h, para acolher pacientes com sintomas da doença.