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Mortos chegam a 25 na Zona da Mata de MG; previsão indica novos temporais

Em Juiz de Fora, ao menos cinco vítimas morreram soterradas no bairro de JK e outras quatro em Santa Rita
24 fev 2026 às 17:22
Por: UOL - Lorena Barros; Beatriz Gomes e Robson Santos
Foto: CBMMG/Divulgação

Ao menos 25 pessoas morreram desde a noite de ontem após fortes chuvas atingirem as cidades de Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata de Minas Gerais. As cidades, que também registraram enchentes e deslizamentos, decretaram estado de calamidade e há previsão de mais chuva nas próximas horas.


São 18 mortos em Juiz de Fora e sete em Ubá. O número de mortos nas cidades foi confirmado pelo Corpo de Bombeiros em boletim atualizado às 15h56. O governador Romeu Zema (Novo) disse nesta tarde, em entrevista coletiva, que a Polícia Civil realiza uma força-tarefa para identificar as vítimas.


Além disso, 43 pessoas estão desaparecidas até a tarde desta terça-feira (24). Destas, 40 são de Juiz de Fora e três de Ubá.


Em Juiz de Fora, ao menos cinco vítimas morreram soterradas no bairro de JK e outras quatro em Santa Rita. As mortes aconteceram em deslizamentos nas ruas Natalino José de Paula e na rua Orville Derby Dutra, informaram os bombeiros.


Ainda em Juiz de Fora, duas pessoas morreram no bairro da Vila Ideal, na rua João Luís Alves. Os bairros de Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa têm uma morte cada, segundo o balanço da prefeitura. Informações sobre a outra morte da cidade ainda não foram atualizadas.

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Na madrugada de hoje, 13 pessoas foram resgatadas com vida pelos bombeiros em Juiz de Fora. Segundo a corporação, 141 bombeiros atuam nos dois municípios, sendo 113 agentes em Juiz de Fora e 28 em Ubá.


Ao menos 400 pessoas estão desalojadas e outras 200 estão desabrigadas em Juiz de Fora, segundo a Defesa Civil estadual. Em Ubá são 14 desabrigados e 46 desalojados, informou o órgão em entrevista coletiva nesta tarde, acrescentando que os números ainda podem aumentar.


As aulas de hoje nas unidades da rede municipal e estadual foram suspensas nas duas cidades. Quinze escolas foram abertas para o acolhimento de desabrigados em Juiz de Fora.


Há pessoas soterradas e outras estão presas em casas por causa de deslizamentos, segundo os bombeiros. Retroescavadeiras e outros materiais da prefeitura são usados para os resgates.


Equipe especializada de Belo Horizonte foi mobilizada para Juiz de Fora, que fica a 260 km da capital mineira. Vinte e dois militares e três cães de busca chegaram hoje à cidade, segundo o CBMMG.


"Orar para achar com vida", diz pai que procura filha de seis anos nos escombros. Valtencir Coutinho, que mora no bairro de JK, era um dos voluntários que procurava sobreviventes na área de desabamento nesta manhã. Ele falou à TV Globo que ainda tem esperanças de encontrar a criança bem. "Tem que achar, né. Deus vai dando forças e confortando corações", afirmou.


Bombeiros foram chamados para o desabamento de seis casas no bairro Linhares, em Juiz de Fora. Em uma das residências soterradas estaria uma criança.


Nas redes sociais, moradores relatam alagamentos, crateras abertas nas ruas, medo de mais chuvas e casas soterradas. No bairro de Cidade Industrial, algumas pessoas precisaram ser resgatadas de barco.


Há falta de energia em bairros da cidade, informou a Cemig. A companhia divulgou que as partes mais afetadas pelo apagão causado pelas chuvas são Mirante de São Bernardo, Araci, JK, Vila Alpina, Linhares, Três Moinhos, Bandeirantes, Retiro e Jardim Esperança.


Equipes de manutenção enfrentam problemas para acessar áreas onde há alagamentos e deslizamentos. Segundo a Cemig, a maioria dos problemas de fornecimento aconteceu após quedas de árvores e de postes, que foram arrancados pela força da água e do vento.

Ubá e Matias Barbosa também foram atingidas

Ubá, a 100 quilômetros de Juiz de Fora, também teve enchentes e desmoronamentos causados pela chuva. Um canal que passa pelo centro da cidade transbordou e causou alagamentos na rua Cristiano Rocas. Ao menos uma casa desmoronou.


Três pontes foram danificadas pela água e 18 ocorrências de emergência foram atingidas pela prefeitura à noite. "Cidade está arrasada", diz prefeito. Em publicação nas redes sociais, José Damato (PSD) afirmou que esta é uma das maiores enchentes da história. Ele pediu ajuda do governo federal e dos senadores e deputados mineiros em um vídeo publicado ao lado do vice-prefeito, Rômulo Silva.


Prefeitura também pediu ajuda nos resgates a moradores que tiverem motos aquáticas e botes. O número de vítimas desalojadas não foi divulgado até o momento. "Pior cenário, um cenário de guerra. Prédios destruídos, casas caindo, rede elétrica afetada, muito curto-circuito. É uma situação que nunca imaginamos passar", comentou o vice-prefeito da cidade em entrevista à Globonews.


Um ponto de coleta de doações foi aberto na sede da Secretaria de Desenvolvimento Social da cidade. Alimentos não perecíveis, leite, água, materiais de higiene e roupas podem ser doados no local, que fica na Praça São Januário.


Serviços públicos foram cancelados após inundações em imóveis da prefeitura. Segundo o órgão, foram interrompidos os atendimentos da farmácia municipal, do Centro de Especialidades Odontológicas, Policlínica Regional e Equipe de Atenção Primária Central. Somente os serviços de hemodiálise na cidade serão "mantidos dentro das condições possíveis", afirmou o órgão em nota.


Diversas regiões da cidade de Matias Barbosa foram atingidas, mas ainda sem registro de vítimas. A prefeitura informou em comunicado nas redes sociais que as aulas em todas as escolas e creches foram suspensas. Além disso, as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) também não estão funcionando.

Previsão indica mais chuva para a região

Alerta para as novas chuvas foi divulgado pelo governo de Minas Gerais. Segundo dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), o volume acumulado recente na região chegou a 209,4 milímetros, totalizando 589,6 milímetros no mês de fevereiro.


A partir de amanhã o avanço de uma nova frente fria poderá provocar mais chuvas intensas, inicialmente na Zona da Mata, Sul e Sudoeste do estado. Segundo o Inmet, a atuação de uma frente fria estacionária no litoral do Sudeste mantém o cenário de instabilidade.


Na quinta-feira, uma área de baixa pressão perto do litoral deve aumentar a instabilidade em várias regiões do estado. Entre elas estão: a região metropolitana de Belo Horizonte, central mineira, norte e noroeste. A previsão é de chuva entre 40 e 60 milímetros. Como o solo já está encharcado, há risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, principalmente em áreas mais vulneráveis.

Cidades decretam calamidade e governador fala em 'dia triste'

As prefeituras de Juiz de Fora, Matias Barbosa e de Ubá decretaram estado de calamidade, o que possibilita o recebimento de recursos estaduais e federais. O decreto começa hoje e ficará 180 dias em vigor.


Juiz de Fora também decretou luto oficial de três dias. Moradores que perceberem riscos estruturais foram orientados a chamar a Defesa Civil pelo número 199.


O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, lamentou as mortes em publicação nas redes sociais. "Minas vive um dia triste. Minha solidariedade às famílias das vítimas e a todos os atingidos pelas chuvas na Zona da Mata, em Juiz de Fora e Ubá.", afirmou.


Governo Federal disse estar mobilizado para enviar socorro e ajuda humanitária à população. O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, falou em nome do presidente Lula em publicação nas redes sociais.


O presidente Lula (PT) também lamentou as mortes e disse que falou com a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, colega de partido, durante uma escala. Ele estava na Coreia do Sul e parou em Abu Dhabi, onde cumpre agenda hoje.


Segundo Lula, o estado de calamidade da cidade será publicado ainda hoje no Diário Oficial da União. Uma equipe de coordenação do SUS está a caminho de Juiz de Fora e a Defesa Civil Nacional enviou profissionais à região, informou o presidente.


"Nosso foco é garantir a assistência humanitária, o restabelecimento dos serviços básicos, o auxílio às pessoas desabrigadas e o suporte à reconstrução." - Presidente Lula.

Juiz de Fora enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com 584 mm até o momento, o dobro do esperado para o mês. "É uma situação extrema, que permite medidas extremas", disse a prefeita Margarida Salomão (PT), em vídeo postado nas redes sociais.


O acumulado de chuva ultrapassou 180 milímetros em alguns pontos do município. No bairro Nossa Senhora de Lourdes, o volume chegou a 186,1 mm. Em Santa Rita, foram registrados 172,7 mm. Já no Distrito Industrial, o acumulado atingiu 161,2 mm, sendo o terceiro local mais afetado.


A prefeitura orienta a população a permanecer em locais seguros e evitar deslocamentos desnecessários. Avenida Desdedith Salgado está com o tráfego limitado após a queda de uma árvore. Já as ruas Olavo Bilac e Bernardo Mascarenhas estão bloqueadas por galhos.

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