O cenário atual da Casa do Bom Samaritano, na zona leste de Londrina, é de completo abandono. Onde por quatro décadas funcionou um pilar de atendimento a crianças, adultos e idosos em situação de vulnerabilidade, hoje o mato alto toma conta, portas permanecem fechadas e a sujeira se espalha. Recentemente, partes da estrutura próxima às salas passaram a ser utilizadas como moradia improvisada para pessoas em situação de rua.
A crise culminou no encerramento das atividades em setembro de 2025, encerrando também o convênio mantido com a Prefeitura de Londrina. Desde outubro, a instituição está sob intervenção judicial. No entanto, o fim dos serviços deixou um rastro de prejuízos, especialmente para os trabalhadores.
Funcionários relatam atrasos e incertezas
A situação trabalhista na entidade é crítica. Enquanto parte do quadro foi demitida, outros colaboradores sequer tiveram o desligamento formalizado. O ponto comum entre os dois grupos é a falta de pagamento: salários atrasados e verbas rescisórias não foram quitados pela diretoria.
Em relatos colhidos no local, os trabalhadores descrevem o aperto financeiro:
Atrasos: Muitos dependiam exclusivamente do salário para sustentar suas casas e agora acumulam contas vencidas.
Incerteza: A falta de baixa na carteira de trabalho impede que alguns busquem novas oportunidades ou acessem o seguro-desemprego.
Desamparo: Funcionários que dedicaram anos à instituição sentem-se abandonados pela gestão atual.
Batalha judicial e insegurança no prédio
O advogado Diego Silva, que representa cerca de 18 funcionários e ex-funcionários, já ingressou com um pedido liminar na Justiça para tentar garantir os pagamentos. A ação fundamenta-se na urgência alimentar das verbas trabalhistas e na necessidade de bloquear recursos para assegurar o direito dos colaboradores.
Além do imbróglio financeiro, o patrimônio físico da Casa do Bom Samaritano está sendo dilapidado. Após a transferência dos acolhidos, criminosos invadiram o local e furtaram objetos de valor. A vulnerabilidade do prédio aumentou após um vendaval derrubar parte do muro dos fundos, deixando o acesso livre para invasões.
"O local está totalmente vulnerável. Com o muro no chão e sem vigilância, ninguém se sente seguro em permanecer no espaço ou até mesmo realizar a manutenção básica", destaca o advogado Diego Silva. A intervenção judicial agora tenta organizar o caos administrativo e financeiro, enquanto a estrutura física corre o risco de se tornar uma ruína no coração da zona leste.