Uma fiscalização de rotina da PRF (Polícia Rodoviária Federal) na BR-369, em Arapongas, resultou na descoberta de uma carga perigosa e inédita na região. Durante a abordagem a um veículo que vinha do Paraguai, os agentes encontraram centenas de substâncias controladas escondidas de forma estratégica para burlar a fiscalização.
No total, foram apreendidas 690 ampolas de injetáveis (emagrecedores e anabolizantes) e 750 comprimidos de esteroides sintéticos. Para tentar enganar os policiais, o motorista utilizou embalagens de patins e mochilas escolares infantis para ocultar os frascos.
O perigo da Retatrutida: a “droga experimental”
Entre os itens apreendidos, um chamou a atenção dos inspetores pela gravidade sanitária: a Retatrutida. Considerada a nova fronteira no tratamento da obesidade, a substância atua em três hormônios simultaneamente (GLP-1, GIP e glucagon).
Status Global: O medicamento ainda é experimental e não possui autorização para venda ou consumo em nenhum lugar do mundo.
Riscos: Embora estudos clínicos de Fase 3 apontem perda de peso de até 30%, a substância não passou pelas rigorosas validações de segurança para comercialização.
Ilegalidade: No Brasil, a Anvisa proíbe terminantemente o transporte, a venda e o uso da substância.
"É um risco imenso à saúde pública. Estamos falando de algo que ainda está em fase de testes e sendo vendido clandestinamente, sem qualquer controle de temperatura ou procedência", alertou o Inspetor Marcos Pierre.
Prisões e Penalidades
O condutor e dois passageiros foram presos em flagrante. O grupo foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal em Londrina, onde responderá por:
Contrabando: Pela entrada ilegal de mercadorias no país.
Crime contra a saúde pública: Pela comercialização e transporte de substâncias sem registro ou de procedência ignorada.
Se condenados, os envolvidos podem pegar uma pena severa de até 15 anos de prisão (conforme o artigo 273 do Código Penal para medicamentos sem registro).
Destinação da Carga
Enquanto os medicamentos ficaram sob custódia da Polícia Federal para perícia, o veículo e as demais mercadorias (brinquedos e mochilas) foram entregues à Receita Federal para os trâmites fiscais.