O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio do Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ofereceu denúncia contra 8 pessoas na segunda fase da Operação Off Label.
Entre os denunciados estão um policial civil afastado judicialmente das funções e um policial civil aposentado.
A denúncia foi apresentada à 2ª Vara Criminal de Londrina e atribui aos investigados, conforme a participação de cada um, crimes como associação criminosa, roubo com emprego de arma de fogo de uso restrito, receptação qualificada e comercialização de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais sem registro na Anvisa.
Esquema envolvia medicamentos para emagrecimento
Segundo o Gaeco, o grupo mantinha um esquema de transporte, armazenamento e comercialização clandestina de medicamentos para emagrecimento contendo tirzepatida, comercializados com a marca TG.
Os produtos eram transportados de Foz do Iguaçu para Londrina e, posteriormente, revendidos na cidade e em outros municípios do país.
A segunda fase da operação teve origem em um caso ocorrido no fim de janeiro de 2026. Na ocasião, aproximadamente 100 ampolas do medicamento, avaliadas em cerca de R$ 70 mil, foram apreendidas durante uma fiscalização em uma empresa de transporte rodoviário de passageiros, em Londrina.
Policial teria roubado carga apreendida
Conforme a denúncia, integrantes do grupo teriam tentado recuperar a mercadoria apreendida. Para isso, sob a coordenação do policial civil aposentado, eles teriam acionado o policial que ainda estava em atividade.
No dia 28 de janeiro de 2026, o policial teria ido até a empresa armado com uma pistola calibre 9 mm e, mediante grave ameaça contra o gerente operacional, teria roubado o pacote com as ampolas.
Após o roubo, segundo o MPPR, a carga foi mantida no apartamento do policial e posteriormente passou a ser revendida pelo grupo.
Medicamentos teriam sido vendidos por WhatsApp
A denúncia também aponta a participação da esposa do policial, que teria atuado na receptação e comercialização dos medicamentos.
Segundo o Gaeco, ela teria oferecido as ampolas em grupos de WhatsApp do condomínio onde morava, pelo valor de R$ 350 por unidade.
A primeira fase da Operação Off Label foi deflagrada em fevereiro deste ano e resultou na denúncia de outras 2 pessoas.
MP pede indenização de R$ 100 mil
Além da condenação dos denunciados, o MPPR pede a fixação de uma indenização por dano moral coletivo de, no mínimo, R$ 100 mil, considerando a gravidade dos fatos e os possíveis prejuízos à saúde pública.
Em relação ao policial civil afastado, o Ministério Público também requer a perda do cargo público em caso de condenação.