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Indy, WEC e rali: por que a F2 tem atraído destaques de outras categorias?

Nomes como Colton Herta, Nicolas Varrone e Kalle Rovanpera mudam a rota e tentam desafiar novatos no último degrau antes da F1
03 jan 2026 às 13:09
Por: Band
Foto: FIA Fórmula 2

O caminho do piloto até a Fórmula 1 é fácil de mapear, embora árduo de percorrer. Atualmente, via de regra, o jovem sai do kart para um campeonato de Fórmula 4, subindo para outro de Fórmula Regional, e de lá para a Fórmula 3 e para a Fórmula 2, até tentar um lugar no grid da elite do automobilismo mundial.


Mas não é de agora que esta trajetória já não é mais tão linear.


Primeiro, porque não são raros os pilotos que tiveram trilhas mais curtas, geralmente beneficiadas pelas academias das equipes da Fórmula 1. Max Verstappen deixou o kart no fim de 2013, correu a antiga Fórmula 3 europeia em 2014 e estreou na F1 já em 2015. Esteban Ocon ganhou as primeiras chances em 2016 depois de ser campeão da antiga GP3 no ano anterior. Andrea Kimi Antonelli empilhou títulos na base, conquistou a Fórmula Regional Europeia em 2023 e fez uma temporada apenas protocolar na Fórmula 2 em 2024 antes de ganhar uma vaga na Mercedes em 2025.


Segundo, porque os pilotos que chegam à F2 hoje não são mais apenas jovens promovidos da F3 ou da Freca. De alguns anos para cá, o último degrau antes da F1 tem atraído nomes já experientes e consagrados em competições internacionalmente reconhecidas.


Ritomo Miyata chegou à Fórmula 2 no começo de 2024, aos 24 anos, depois de uma carreira bem sucedida no automobilismo japonês, com direito a título na Super Fórmula em 2023 em duelo contra Liam Lawson. Ainda não brilhou na F2, mas conquistou um segundo lugar na corrida principal da etapa de Spa-Francorchamps de 2025.

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Em 2026, o grid vai ganhar mais nomes do mesmo perfil. Vice-campeão da Fórmula Indy em 2024, Colton Herta será titular da Hitech como processo de amadurecimento - o norte-americano será reserva da Cadillac na F1. Já o argentino Nicolás Varrone pilotará pela Van Amersfoort depois de uma trajetória de bons resultados no WEC: foi campeão da classe LMGTE Am em 2023, vencendo as 24 Horas de Le Mans em 2023 (classe GTE Am) e 2024 (classe LMP2 Pro-Am). Herta tem 25 anos, mesma idade de Varrone.


Para efeito de comparação, com a exceção de Ritomo Miyata, o piloto mais velho do grid da F2 em 2025 era o indiano Kush Maini, que completou 25 em setembro e disputou a categoria desde o começo de 2023. Richard Verschoor e Victor Martins, ambos de 24 anos, também destoavam do perfil dos rivais nos quesitos idade e duração no grid.


Sonhar não custa nada

Mas por que pilotos tão experientes estão trocando categorias de elite por vagas na Fórmula 2? A resposta: o sonho de chegar à Fórmula 1. Com a explosão de popularidade da categoria nos últimos anos e a falta de vagas no grid, a alternativa tem sido procurar um espaço no último degrau para, quem sabe, atrair olhares das equipes da elite.


São os casos de Colton Herta e Nicolás Varrone, por exemplo. Para Nicolas Costa, que correu a classe LMGT3 do WEC em 2024, o argentino acertou ao mudar a rota da carreira.


“Eu vejo um piloto correndo atrás de um sonho, né? Obviamente ele tem um sonho de entrar na Fórmula 1 e o único caminho possível para ele fazer isso é através da Fórmula 2”, disse Costa ao Band.com.br. “Então, se ele tem a possibilidade financeira de correr atrás desse sonho e ao mesmo tempo capacidade de guiar, e a gente sabe que ele tem, por que não? A vida é uma só, a gente tem que correr atrás daquilo que a gente quer.”


A chegada do norte-americano, por sua vez, é celebrada por Andrea Kimi Antonelli. Sexto colocado da temporada 2024 da F2, o piloto da Mercedes acredita que a adaptação não deve ser problema para quem chega com um currículo tão qualificado.


“Nós vimos Colton Herta testando na Fórmula 2 recentemente, e ele vai correr no ano que vem (2026). É bom de ver também”, disse o italiano. “Será interessante ver como eles vão na Fórmula 2. Será uma maneira diferente de pilotar, pistas diferentes às que eles estão acostumados. Será interessante ver como eles podem fazer. Eles têm talento. Será uma questão de adaptação. Mas se eles forem bem, as portas da F1 estarão abertas”, acredita.


Muitos candidatos, poucas vagas

O problema para os pilotos da F2 é que a quantidade de vagas na F1 é bem menor que a de interessados - e a proporção se complica ainda mais quando os pilotos oriundos da F3 e da Freca enfrentam a concorrência de pilotos da Indy, da Super Fórmula ou do WEC.


O grid que começou a temporada de 2024 da F1, por exemplo, foi o mesmo que terminou a de 2023. No de 2026, as únicas mudanças ficaram na Red Bull e na Racing Bulls, com a promoção de Isack Hadjar - Yuki Tsunoda saiu em uma ponta, Arvid Lindblad entrou na outra.


Assim, para quem não tem espaço no grid da Fórmula 1, a “fila de espera” na Fórmula 2 virou uma boa alternativa. Não apenas pela projeção da categoria em si, que integra o guarda-chuva da Liberty Media, mas também pela possibilidade de estar perto da F1 - com isso, o piloto já está na porta caso uma oportunidade no topo apareça.


“Só um ou dois pilotos têm essa chance por ano, desde que grandes pilotos deixem a F1... E se você perder essa chance, você perdeu. É a mesma coisa na Fórmula 4, se você não tem uma boa temporada, ou ficou sem uma vaga em um bom time na Fórmula 3”, analisou George Russell, da Mercedes, com um alerta para os pilotos experientes que estão chegando: “A Fórmula 2 tem os melhores dos melhores novatos”.

Rota alternativa


Se Colton Herta deve ser o nome de mais destaque com este novo perfil, pode ganhar um concorrente de peso nos próximos anos. O finlandês Kalle Rovanpera, bicampeão do WRC (Campeonato Mundial de Rali) vai trocar as provas off-road pelo asfalto, correndo em 2026 na Super Fórmula. O objetivo é tentar uma vaga na Fórmula 2 em 2027, quando terá 26 anos.

Na competição japonesa, a tendência é que Rovanpera enfrente uma concorrência dura. O grid de 2026 conta com nomes conhecidos, como Kamui Kobayashi (ex-piloto da F1 e com dois títulos no WEC), Ayumu Iwasa, Zak O’Sullivan (oriundos da própria F2), Charlie Wurz (que correu a Fórmula 3 em 2025) e Sacha Fenestraz (ex-Fórmula E), além de Sho Tsuboi (campeão da categoria em 2024 e vice em 2025, que já testou pela Haas na F1).

Para pilotos com experiência na Fórmula 2, a chegada deste novo perfil de novatos é vista com naturalidade, especialmente para aqueles que sonham com uma vaga tardia na F1. Mas é bom avisar: a adaptação pode não ser fácil.

“A maioria dos pilotos busca a Fórmula 1. É como também o exemplo de Kalle Rovanpera, que agora vai para a Super Fórmula para fazer a Fórmula 2 no ano seguinte. Bem, é um passo que está claro, que agora a maioria dos pilotos tem que dar para chegar à Fórmula 1, mas creio que as pessoas subestimam um pouco o nível da Fórmula 2”, afirmou Pepe Martí, que deixou a reta final da temporada 2025 da F2 para correr na Fórmula E pela Cupra Kiro.

Para quem conseguiu passar pelo funil da Fórmula 2 para chegar à Fórmula 1, a mudança na rota é vista com atenção. “Acho que você tem uma pirâmide – Fórmula 3, Fórmula 2, Fórmula 1 – e que faz sentido”, afirmou George Russell, campeão da F2 em 2018. “Deveria haver mais de uma rota para a F1. Acho que a F2 deve ser o filtro direto, e sempre foi um filtro direto”, completou o britânico da Mercedes.

(Colaboraram Matheus Gavazzi e Vinícius Batista)

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