A sessão da CPMI do INSS desta quinta-feira (26) foi suspensa por 15 minutos após parlamentares trocarem agressões físicas. A confusão ocorreu minutos depois da aprovação, em bloco, de 87 requerimentos apresentados à comissão. Entre os pedidos aprovados está a quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente da República Lula.
A comissão investiga os desvios realizados no repasse de benefícios pagos a aposentados e pensionistas do INSS. Nos documentos do processo, o nome de Lulinha é citado como um dos supostos beneficiários do esquema de desvios de verba na Operação Sem Desconto. Contudo, Fábio ainda não é alvo da operação da Polícia Federal.
O filho mais velho do presidente entrou na mira das investigações depois que a PF encontrou uma troca de mensagens entre Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.
Na conversa, ela pergunta qual seria o destino de um pagamento de 300 mil reais, e a resposta, segundo a investigação, foi que seria para o “filho do rapaz”. A suspeita é que seria uma referência ao filho de Lula.
A CPMI quer saber se o dinheiro do esquema do INSS, que roubou aposentados e pensionistas, serviu para fazer pagamentos a Lulinha. O ponto de conexão com o Master são os consignados do banco aos beneficiários da Previdência Social.
Em entrevistas recentes, o presidente Lula disse que, se o filho tiver envolvimento, vai ser responsabilizado.
Volta da sessão
Participaram do tumulto o deputado Rogério Corrêa (PT-MG), o relator da comissão, Alfredo Gaspar (União-AL), e os deputados Evair de Melo (PP-ES) e Luiz Lima (Novo-RJ). Luiz Lima afirmou ter sido atingido por um soco durante a confusão.
A sessão foi retomada, e parlamentares da base governista pediram a anulação do resultado da votação. Eles alegam que tinham maioria e que foram 14 votantes e não 7, como disse o senador Carlos Viana (Podemos-MG), relator da CPMI.
Diante da recusa em voltar atrás, senadores e deputados da base também protocolaram uma denúncia contra o presidente da CPMI na Comissão de Ética.
O que gerou a confusão na CPMI já havia sido autorizado pelo próprio relator do caso Master no Supremo. No mês passado, a pedido da Polícia Federal, o ministro André Mendonça autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha.
Presidente do Palmeiras convocada
A CPMI do INSS também aprovou a convocação da empresária Leila Pereira, presidente do Palmeiras e dona da Crefisa, na condição de testemunha.
A financeira responde a ações judiciais por juros abusivos e foi a principal vencedora de um pregão para pagamento de novos benefícios do INSS.