O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou sua participação na cúpula sobre o impacto da inteligência artificial, em Nova Délhi, na Índia, para cobrar uma regulação rigorosa das gigantes de tecnologia. Ao lado do premiê indiano, Narendra Modi, Lula reconheceu os avanços da ferramenta, mas demonstrou profunda preocupação com o uso indevido da tecnologia.
Durante o evento, que reuniu pelo menos 20 chefes de Estado e lideranças do setor, o presidente brasileiro alertou que a IA pode fomentar práticas como o uso de armas autônomas, discurso de ódio e pornografia infantil. Ele destacou, ainda, o impacto negativo da desinformação nos processos políticos globais.
Defesa da soberania digital e parcerias
Em reuniões bilaterais com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com o CEO do Google, Sundar Pichai, Lula reforçou a necessidade de estabelecer regras para as chamadas big techs. Segundo o presidente, a regulamentação é um imperativo para salvaguardar direitos humanos na esfera digital, assegurar a integridade da informação e proteger as indústrias criativas nacionais.
A visita de Lula à Índia — país que lidera a atração de investimentos entre as nações emergentes — também possui um viés econômico estratégico para o Brasil. O governo brasileiro busca consolidar acordos em setores de modernização e infraestrutura.
Entre as parcerias previstas, destacam-se os acordos voltados para a exploração e processamento de terras raras e minerais críticos. A aproximação reflete o interesse do Brasil em não ser deixado de lado em um mercado que hoje é disputado pelas principais potências mundiais.
Rivalidade empresarial e ausência de Bill Gates
O encontro em Nova Délhi também foi palco de tensões corporativas. Durante a foto oficial do evento, os líderes das empresas responsáveis pelo ChatGPT e pela inteligência artificial Claude se recusaram a dar as mãos. O gesto evidenciou a acirrada rivalidade comercial entre as principais desenvolvedoras de IA generativa do mundo.
Outro fato marcante foi o cancelamento da participação de Bill Gates. O fundador da Microsoft, que faria o discurso de abertura da cúpula, desistiu do compromisso na última hora. Recentemente, o nome de Gates voltou a ser citado em documentos relacionados ao caso do predador sexual Jeffrey Epstein.
Em nota oficial, a Fundação Gates não mencionou as polêmicas e justificou a ausência de forma genérica. A entidade afirmou que o bilionário não compareceria para garantir que o foco do encontro permanecesse exclusivamente nas prioridades e discussões sobre inteligência artificial.