O senador Rogério Marinho (PL-RN), atual líder da oposição, anunciou nesta quarta-feira (4), em Brasília, sua candidatura à presidência do Senado para o biênio 2027–2028. A indicação foi oficializada após uma reunião com integrantes da bancada do Partido Liberal (PL) e aliados.
Na saída do encontro, Marinho afirmou que 33 senadores participaram da reunião e que o grupo o escolheu para representar a oposição na disputa pelo comando da Casa. “Fomos escolhidos pelos nossos companheiros para representarmos a oposição nessa empreitada que será agora a presidência do Senado”, declarou.
Na corrida pela presidência, Marinho deve enfrentar o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a reeleição, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também tenta viabilizar uma candidatura. O senador do PL afirmou que pretende chegar a um acordo com ela para evitar uma disputa entre os dois.
“A Tereza tem toda a legitimidade de ser candidata. Nós conversamos, inclusive, hoje pela manhã. Ela certamente vai tentar viabilizar sua candidatura. No momento oportuno, pelo nosso acerto, vamos convergir. Até porque estamos do mesmo lado, defendemos as mesmas coisas, as mesmas bandeiras e acreditamos que é necessário que haja uma mudança na presidência do Congresso Nacional”, afirmou Marinho.
Para a eleição, o PL contará com o peso de ser a maior bancada da próxima legislatura. A partir de fevereiro de 2027, o partido terá 29 senadores, o que amplia o poder de articulação de Marinho nas negociações com outras siglas.
Quem é Rogério Marinho
Aos 62 anos, Rogério Marinho é formado em Economia e cumpre o primeiro mandato como senador, eleito em 2022 pelo Rio Grande do Norte. Antes, foi deputado federal por três mandatos e ocupou cargos durante o governo de Jair Bolsonaro, como secretário de Previdência e ministro do Desenvolvimento Regional.
Na Câmara dos Deputados, em 2017, foi relator da reforma trabalhista. Em 2026, coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro.
Busca pelos 41 votos
A eleição para a presidência do Senado está prevista para a primeira semana de fevereiro de 2027 e será realizada por votação secreta. Para vencer, o candidato precisa obter a maioria absoluta dos 81 senadores, ou seja, pelo menos 41 votos.
Mesmo com a maior bancada, Marinho precisará buscar apoio em outras siglas para alcançar esse número. O senador mencionou conversas com parlamentares do PP e do Republicanos. Já Alcolumbre conta com o respaldo de partidos e parlamentares que articulam sua permanência no comando da Casa.
O que está em jogo?
O presidente do Senado também preside as sessões do Congresso Nacional e tem papel importante na definição da pauta de votações, em articulação com os líderes partidários. Entre suas atribuições está a condução dos trabalhos legislativos e a análise de questões relacionadas à tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República.
A disputa sucessória deve intensificar as reuniões de bastidores nos próximos meses, com negociações sobre a distribuição de cargos na Mesa Diretora e de postos estratégicos, como as presidências da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Questionado sobre a possibilidade de usar o cargo para impulsionar processos de impeachment de ministros do STF, uma das bandeiras de setores bolsonaristas, Marinho afirmou que sua candidatura se baseia no respeito à Constituição. No entanto, disse que não será omisso diante de eventuais crimes de responsabilidade.
“É evidente que nós não seremos candidatos com o tema de impeachment de quem quer que seja, mas de respeito à Constituição brasileira. Eu desafio que nós não seremos omissos, porque ninguém está acima da lei. Então, se algum ministro do Supremo Tribunal Federal cometer crime de responsabilidade, nós não seremos, ao contrário do que acontece hoje, omissos. Mas nós não vamos antecipar, nem vamos fazer juízo de valor, porque, volto a repetir, a nossa candidatura é uma candidatura que respeita e defende a Constituição”, declarou.
Sobre uma eventual anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o senador se declarou favorável à discussão do tema. Ele criticou o que considera interferência externa sobre o Parlamento e afirmou que qualquer proposta deverá ser submetida à votação dos senadores.
“Anistia é uma pauta que foi impedida, de fora para dentro, de tramitar dentro do Congresso que representa o povo brasileiro. Se você tem um parlamento que está manietado, amordaçado, impedido de funcionar porque está sendo extorquido, chantageado e pressionado de uma forma espúria, eu lhes garanto que isso não é democracia. Qualquer projeto de lei, inclusive a anistia, que nós consideramos correta, deverá tramitar como qualquer outro projeto. Caso eu seja o presidente, vou submeter ao escrutínio dos meus pares. O que a maioria decidir é o que vai acontecer. Não vai haver imposição nem coação”, afirmou.
Defesa do voto aberto
Marinho também anunciou que defenderá o voto aberto na escolha do próximo presidente do Senado, apesar de o Regimento Interno da Casa estabelecer votação secreta. Para ele, a transparência sobre o posicionamento dos parlamentares é uma forma de prestar contas ao eleitorado.
“O voto aberto é, eu acho, extremamente recomendável e necessário. Eu acredito que qualquer cidadão brasileiro gostaria de saber como está votando o seu representante, até para que não haja estelionato eleitoral. Essa eleição em particular, nós assistimos uma atenção muito grande a respeito da eleição de senadores, de como se formariam as maiorias dentro do Senado da República. A centro-direita fez 34 senadores de 54; na vez anterior, fez 17 de 27. Então vejam que há uma resposta da população brasileira de entender que quem os representa necessariamente precisa ter o mesmo sentimento que o eleitor”, concluiu.