O aumento de casos de leptospirose em cães tem chamado a atenção de profissionais da medicina veterinária em Londrina. Segundo a médica veterinária Fernanda Hilst, a clínica onde trabalha tem registrado atendimentos relacionados à doença semanalmente há cerca de três a quatro meses. Apesar de não haver dados oficiais da Vigilância Sanitária sobre esse aumento, o cenário tem preocupado os profissionais.
Em entrevista ao quadro Special Pet, do Tarobá Cidade, Fernanda explicou que a leptospirose é uma doença bacteriana transmitida principalmente pela urina de roedores, especialmente ratos, mas que também pode ser transmitida por outros mamíferos. A doença é uma zoonose, ou seja, pode atingir os seres humanos. O período chuvoso contribui para aumentar os riscos, já que a bactéria pode permanecer no ambiente por seis meses a um ano. A veterinária também destacou que uma situação comum de exposição dos cães ocorre quando potes de ração são deixados do lado de fora das residências durante a noite, facilitando o contato com roedores que podem urinar no recipiente.
Entre as principais formas de prevenção está a vacinação dos cães, incluída na vacina déctupla, que protege contra quatro sorovares da leptospirose. De acordo com Fernanda, os animais vacinados ficam mais protegidos e podem realizar passeios com maior segurança. A orientação também é recolher os potes de água e ração após as refeições, evitando deixá-los expostos durante a noite. Os tutores devem ficar atentos a sintomas como apatia, falta de apetite e vômitos.
Em estágios mais avançados, a doença pode provocar icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos, rigidez muscular e até sepse, uma infecção generalizada que pode levar à morte. A veterinária alerta que, diante dos primeiros sinais, é fundamental procurar atendimento profissional. O tratamento é feito com antibióticos e, dependendo da gravidade, pode exigir internação para administração de medicamentos pela veia.
A especialista também ressaltou que os seres humanos podem contrair a doença pelo contato com a urina e secreções de animais infectados ou com ambientes contaminados. Segundo ela, não é o simples contato com o pelo do cachorro que representa o risco, mas a exposição à bactéria. Em relação aos gatos, Fernanda explicou que, embora os casos sejam menos comuns, estudos recentes apontam a possibilidade de infecção em animais imunossuprimidos, especialmente filhotes, idosos ou aqueles que apresentam outras doenças.
Atualmente, não há vacina disponível para gatos nem para humanos. Por isso, a recomendação é manter a vacinação dos cães em dia, redobrar os cuidados durante o período de chuvas e procurar atendimento médico ou veterinário diante de qualquer suspeita de infecção.