Historicamente concentrado na região Sul, o cultivo de trigo começa a ganhar espaço no Centro-Oeste, impulsionado pelo desenvolvimento de tecnologias e de novas variedades adaptadas ao clima do Cerrado.
A Embrapa Cerrados desenvolveu cultivares que podem alcançar produtividade entre 6 mil e 8 mil quilos por hectare.
Durante o evento, foram apresentadas variedades como a BRS Savana, indicada para produção de biscoitos em áreas de sequeiro e irrigadas, e a BRS Cracker, que tem alto potencial produtivo.
Segundo pesquisadores, os avanços tecnológicos também contribuíram para melhorar a qualidade do trigo produzido no Cerrado, aumentando o interesse de moinhos de outros estados, inclusive do Paraná.
Safra enfrenta desafios
Apesar do avanço, a produção nacional enfrenta dificuldades nesta safra.
No Distrito Federal, produtores registraram queda de até 36% na área plantada e na produção em relação ao ano anterior.
No Rio Grande do Sul, a expectativa também é de uma das menores safras desde 2020, em meio a problemas climáticos e à pressão de doenças nas lavouras.
Importações continuam necessárias
Segundo a Conab, a produção brasileira deve fechar 2026 em aproximadamente 6 milhões de toneladas, enquanto as importações devem chegar a cerca de 7 milhões de toneladas.
A Argentina tradicionalmente é a principal fornecedora do trigo importado pelo Brasil, mas a qualidade da safra argentina também apresentou problemas neste ano.
Diante desse cenário, o país avalia ampliar as compras de Estados Unidos, Canadá e Rússia.
A mudança na origem das importações, porém, pode elevar os custos para o mercado brasileiro por causa dos preços internacionais e das despesas com transporte e frete.
Com a necessidade de importar praticamente metade do trigo consumido, o avanço de novas áreas produtoras no Centro-Oeste aparece como uma alternativa para aumentar a oferta nacional e reduzir a dependência do mercado externo.