Agro

El Niño ameaça safra e pode subir inflação de alimentos no país

21 ago 2026 às 13:02

O fortalecimento do fenômeno climático El Niño pode pressionar a inflação de alimentos no Brasil a partir do primeiro trimestre do próximo ano. De acordo com um estudo elaborado pelos economistas Maurício Une e Renan Alves, do banco Rabobank, os reflexos do choque de oferta no campo devem atingir as prateleiras dos supermercados cerca de seis meses após o início da safra 2026/2027, que se inicia em setembro.


Para mensurar o repasse financeiro ao consumidor, o levantamento cruzou séries históricas do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), apurado pelo IBGE, com dados de intensidade meteorológica da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA). Em um cenário de intensidade moderada do evento climático, a alta dos itens in natura adicionaria 0,36 ponto percentual ao índice acumulado em 12 meses; somados os produtos processados, o impacto extra chega a 0,41 ponto. Caso o fenômeno atinja um nível severo, a pressão total sobre a inflação pode alcançar 0,83 ponto percentual.


Os alimentos in natura — como frutas, legumes e verduras — encabeçam os reajustes devido à alta sensibilidade a oscilações de temperatura e umidade. Já os itens semielaborados, como carnes e grãos, sofrem repasses graduais decorrentes da elevação dos custos de ração e insumos. Nos industrializados, o efeito do clima é diluído por custos fixos de processamento, embalagem e frete.


A pesquisa ressalta que o pico inflacionário no varejo tende a ocorrer por volta de março, afetando também a alimentação fora do domicílio e o setor de serviços. Por se tratar de um choque estritamente de oferta no setor primário, os autores apontam que os instrumentos tradicionais de política monetária aplicados pelo Banco Central possuem eficácia limitada para conter a escalada dos preços no curto prazo.

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