Agro

Falta de silos e infraestrutura pressiona preço dos alimentos

17 ago 2026 às 12:57

O agronegócio brasileiro necessita de reformas estruturais para assegurar a estabilidade do abastecimento e manter a competitividade no mercado internacional. Em análise sobre o setor produtivo, o presidente da Datagro e doutor em economia agrícola, Plínio Nastari, mapeou cinco entraves prioritários para a agricultura nacional, abarcando desde a infraestrutura de transporte até a segurança financeira do produtor.


O principal gargalo identificado é a defasagem na armazenagem de grãos. Enquanto a safra nacional alcança aproximadamente 360 milhões de toneladas, a capacidade estática dos silos comporta 230 milhões de toneladas. A recomendação internacional prevê uma infraestrutura 30% superior ao volume colhido. Segundo a consultoria, o déficit força a liquidação rápida dos grãos logo após a colheita, gerando oscilações de preços que afetam a renda no campo e o custo final dos alimentos.


Na infraestrutura de transporte, a dependência da malha rodoviária — responsável pelo escoamento de cerca de 70% das cargas do setor — encarece o frete. O economista defende a atração de investimentos para a expansão de ferrovias, destacando que as características geográficas do território nacional favorecem a implantação desse modal de alta capacidade.


A vulnerabilidade no suprimento de fertilizantes representa a terceira preocupação, visto que o país importa entre 85% e 88% dos insumos aplicados no solo. Para reduzir a dependência externa, Nastari sugere dar celeridade aos processos de licenciamento ambiental para a extração mineral e utilizar o gás natural nacional na produção de nitrogenados.


No comércio externo, o especialista aponta a necessidade de criar mecanismos de certificação documental para comprovar o cumprimento das exigências socioambientais do agronegócio perante compradores internacionais.


Por fim, a análise destaca a insuficiência dos recursos destinados ao seguro rural, que somam cerca de R$ 470 milhões no orçamento federal. O montante é considerado limitado diante da frequência de eventos climáticos extremos, exigindo a expansão de políticas públicas para garantir a sustentabilidade financeira dos agricultores.

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