O mercado interno de milho apresenta comportamentos distintos entre as regiões brasileiras. Enquanto os preços na região consumidora de Campinas (SP) seguem em trajetória de alta, no Sul do Brasil os valores registram queda, reflexo do estágio mais avançado da colheita da safra de verão.
O Indicador ESALQ/BM&FBovespa já superou a marca de R$ 70 por saca de 60 kg, nível que não era registrado desde o final de 2025. Entre os principais fatores que sustentam essa valorização estão a postura mais firme dos vendedores, a demanda aquecida e a prioridade de comercialização da soja em algumas regiões produtoras.
Muitos produtores rurais estão concentrados na colheita da safra de verão e na semeadura da segunda safra de milho, o que limita a oferta imediata do grão no mercado interno. Ao mesmo tempo, compradores seguem ativos, buscando recompor estoques e garantir abastecimento.
Outro fator observado no mercado agrícola é que, em algumas regiões, os produtores têm priorizado a negociação da soja, deixando o milho em segundo plano nas vendas.
O setor também acompanha com cautela o cenário internacional, especialmente o conflito entre Estados Unidos e Irã, que pode impactar o comércio global de grãos.
O Irã possui importância estratégica para o agronegócio brasileiro. Em 2025, o país foi o principal destino das exportações brasileiras de milho.
O volume exportado para o mercado iraniano apresentou crescimento expressivo, saltando de 4,33 milhões de toneladas para cerca de 9 milhões de toneladas em 2025, praticamente dobrando em um ano.
Apesar da atenção ao cenário geopolítico, pesquisadores do Cepea ressaltam que as exportações brasileiras de milho tendem a se intensificar apenas no segundo semestre, o que permite ao mercado acompanhar os desdobramentos diplomáticos antes de possíveis impactos diretos nos embarques.