O preço do trigo em grão registrou um movimento de alta acentuada durante o mês de março de 2026, atingindo patamares que não eram vistos desde outubro do ano passado nos estados do Sul do país. Em praças específicas acompanhadas pelo Cepea, como o estado de São Paulo, o valor do cereal alcançou o maior nível em aproximadamente seis meses. Esse avanço nos preços internos é um reflexo direto da valorização do trigo no mercado internacional e do fortalecimento do dólar frente ao real, fatores que encarecem a importação e tornam o produto nacional mais valorizado.
Além das questões cambiais, o setor produtivo trabalha com expectativas de redução na área de plantio e no volume total da próxima safra brasileira. Diante dessa projeção de oferta mais restrita para o ciclo futuro, os produtores têm adotado uma postura cautelosa e limitado a disponibilidade do cereal no mercado spot. A estratégia visa garantir melhores margens de lucro, com a aposta em novas valorizações de curto prazo, especialmente no momento em que as indústrias moageiras precisam recompor seus estoques de segurança.
Pesquisadores do setor indicam que o cenário de entressafra atual aumenta a pressão sobre os compradores, que encontram dificuldades para fechar grandes lotes a preços baixos. A retenção do grão por parte dos agricultores é uma resposta direta à incerteza climática e aos custos de produção elevados, que exigem uma comercialização mais estratégica. Com a demanda doméstica constante para a fabricação de derivados, a tendência é de que o mercado de commodities agrícolas permaneça aquecido e com baixa liquidez nas negociações imediatas.
O impacto dessa alta deve ser monitorado de perto pelas cadeias de panificação e massas ao longo do próximo trimestre. Caso a moeda norte-americana mantenha a trajetória de valorização e as previsões de quebra de safra se confirmem, o custo de aquisição da matéria-prima poderá ser repassado ao consumidor final. Por ora, o mercado aguarda as definições das intenções de plantio para o inverno, que serão determinantes para equilibrar a balança entre a oferta interna e a necessidade de importação do grão.