A produção de tomate em São Paulo caiu 1,9% na safra de inverno, mesmo com o aumento da área destinada ao cultivo. Segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), foram produzidas 423 mil toneladas no período.
A área plantada chegou a 5,1 mil hectares, um crescimento de 10,8% em relação ao ciclo anterior. Apesar da expansão, o rendimento médio das lavouras caiu 11,5%, passando para 82,3 toneladas por hectare.
Itapeva lidera produção
O levantamento considera o tomate envarado, sistema utilizado para a produção do fruto de mesa em que os ramos da planta são amarrados verticalmente a estacas.
A Regional de Itapeva concentra 58,8% da produção paulista, enquanto a Regional de Campinas aparece na segunda posição, com 11,3% do volume colhido.
Na região de Campinas, municípios como Sumaré, Monte Mor e Mogi Guaçu integram um importante polo produtor de tomate.
Mais área, mas menos produtividade
O aumento da área plantada não foi suficiente para garantir uma produção maior. O cenário mostra que o desafio dos produtores está cada vez mais ligado à eficiência dentro das propriedades, principalmente diante dos custos de produção.
Entre as principais despesas estão fertilizantes, defensivos agrícolas, mão de obra e energia.
Com as margens pressionadas, ampliar a área cultivada não significa necessariamente aumentar a rentabilidade. A tendência é buscar uma produção maior por hectare com os recursos já disponíveis.
Água é um dos principais desafios
A gestão da água também tem papel importante no desempenho das lavouras. Oscilações no fornecimento podem prejudicar a formação dos frutos, o desenvolvimento das plantas e o aproveitamento dos nutrientes.
Na região de Campinas, produtores utilizam sistemas de irrigação por gotejamento, que levam água e fertilizantes diretamente à base das plantas.
O desafio é evitar que parte desse recurso seja perdida por evaporação, drenagem excessiva ou lixiviação, processo em que a água carrega nutrientes para camadas mais profundas do solo.
Busca por eficiência
A expectativa para as próximas safras é de que os produtores avancem na eficiência do uso da terra e da água, buscando aumentar a produtividade sem elevar os custos na mesma proporção.
O cenário da safra de inverno reforça que, na tomaticultura paulista, mais hectares plantados não significam necessariamente mais produção, e que o ganho de eficiência por área passa a ser cada vez mais importante para manter a atividade rentável.