Agro

Safra recorde não resolve gargalos do agro brasileiro

16 ago 2026 às 10:38

O Brasil deve encerrar a safra 2025/2026 com produção recorde de cerca de 360 milhões de toneladas de grãos. Apesar do avanço na produtividade, o agronegócio ainda enfrenta problemas que reduzem a competitividade e pressionam a renda dos produtores.


Entre os principais desafios estão os juros altos, dificuldade de acesso ao crédito, falta de armazenagem e custos elevados de transporte.


Soja brasileira perde vantagem no transporte


O problema é evidente em Mato Grosso, principal estado produtor de soja do país. Em uma propriedade de pouco mais de mil hectares em Sinop, o produtor rural Evandro Pellenz cultiva soja e milho, destinando cerca de 80% da produção à China.


Segundo ele, as condições climáticas têm contribuído para bons resultados e aumento da produtividade.

A produção brasileira vem crescendo de forma significativa nas últimas décadas, mas os investimentos fora das propriedades não acompanharam o mesmo ritmo.


Os juros elevados encarecem o crédito e podem dificultar investimentos em tecnologia e até atrasar o plantio. Já a falta de armazenagem faz com que produtores sejam obrigados a vender parte da produção durante a colheita, quando a maior oferta costuma pressionar os preços.


Os custos de transporte também pesam no resultado final.


De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), transportar uma tonelada de grãos de Sinop até Xangai, na China, custa cerca de US$ 138,50. Já o transporte de uma carga de Davenport, em Iowa, até o mesmo destino custa aproximadamente US$ 103,05 por tonelada.


A diferença é de US$ 35,45 por tonelada. Assim, mesmo com uma produção mais barata, o Brasil perde parte da vantagem no momento de levar a soja até o mercado internacional.


Dependência da China preocupa


Outro ponto de atenção é a dependência do mercado chinês. A China é o principal destino da soja brasileira e tem grande importância para as exportações do país.


Especialistas alertam que mudanças nos hábitos de consumo ou nas políticas comerciais chinesas podem afetar as vendas brasileiras. Uma das projeções aponta para uma possível redução de até 25% nas exportações de soja para o país asiático.


Diversificação pode ser alternativa


Diante dos desafios, especialistas defendem que o Brasil busque novos mercados e aumente a industrialização da produção.


Entre os possíveis destinos estão Índia e países da União Europeia. A ideia também é exportar produtos com maior valor agregado, em vez de concentrar as vendas apenas nos grãos.


O biodiesel é apontado como uma das alternativas. A soja pode ser utilizada na produção de farelo, óleo, alimentação animal e combustível renovável, ampliando o valor gerado dentro do país.


Para especialistas, melhorar a infraestrutura, armazenagem, crédito e logística será fundamental para que o recorde de produção se transforme também em maior renda e competitividade para o produtor brasileiro.

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