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Londrina registra um atendimento por violência contra a mulher a cada 18 horas

22 set 2026 às 06:00

A violência contra mulheres mobilizou a Patrulha Maria da Penha, em média, uma vez a cada 18 horas em Londrina entre janeiro e agosto de 2026. No mesmo período, o município registrou 178 denúncias ao Ligue 180 e, até julho, mais de 2,7 mil medidas protetivas, segundo dados da Guarda Municipal, do Ministério das Mulheres e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


Ao todo, a Patrulha Maria da Penha realizou 328 atendimentos relacionados à violência contra a mulher entre janeiro e agosto, média de 1,35 por dia. No período, foram registradas 115 detenções, o equivalente a aproximadamente uma para cada três atendimentos. Em média, uma detenção ocorreu a cada dois dias.


Os registros se concentraram principalmente durante a tarde e a noite, períodos que, juntos, responderam por 67,1% dos atendimentos. As regiões Norte e Leste tiveram os maiores percentuais, com 22,9% e 19%, respectivamente.

Violência acontece principalmente dentro de casa

Os dados do Ligue 180 mostram que a violência doméstica predomina entre as denúncias relacionadas a Londrina. Das 178 registradas entre janeiro e agosto, 141, ou quase oito em cada dez, foram classificadas como violência doméstica, familiar ou ocorrida em relações íntimas de afeto.


Em 72% das denúncias, a violência aconteceu na casa da vítima ou na residência que ela dividia com o suspeito. Mais da metade dos registros envolvia companheiros, ex-companheiros, esposos, ex-esposos, namorados ou ex-namorados.

As denúncias reuniram 1.083 violações de direitos, já que um mesmo registro pode conter mais de um tipo de violência. Entre as 940 violações classificadas como violência doméstica, familiar ou em relações íntimas de afeto, cerca de 71% foram físicas e 26% psicológicas.


Homens são maioria entre os agressores

Dos 178 registros feitos ao Ligue 180 em Londrina entre janeiro e agosto, 152 apontavam homens como agressores, o equivalente a 85,4% das denúncias. Em mais da metade dos casos (56,2%), o suspeito era companheiro, ex-companheiro, esposo, ex-esposo, namorado ou ex-namorado da vítima.


Entre as vítimas, 176 registros indicavam sexo/gênero feminino e dois envolviam pessoas trans. A faixa de 35 a 39 anos foi a mais frequente entre as idades informadas, com 25 denúncias; em 32 registros, a idade da vítima não foi informada.

Atendimento não termina com a denúncia

A procura pela rede municipal também mostra a dimensão do atendimento às vítimas. Entre janeiro e agosto, 322 mulheres foram atendidas pelo Centro de Atendimento à Mulher (CAM), segundo a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Marisol de Oliveira Chiesa. Os acompanhamentos geraram 2.035 atendimentos especializados, entre serviços de psicologia, assistência social e orientação jurídica.


Segundo Marisol, a violência psicológica é a que aparece com maior frequência entre as mulheres que procuram o serviço. Somente o setor de psicologia realizou 531 atendimentos no período.


A secretária explica que esse tipo de violência pode envolver ameaças, chantagens, restrições e manipulação, além de afetar a autoestima e a capacidade da vítima de tomar as próprias decisões. Ao chegar ao CAM, a mulher passa por acolhimento para que a equipe identifique as necessidades e os encaminhamentos necessários.


Nos casos recorrentes, o acompanhamento pode ser retomado. Segundo Marisol, cada mulher mantém um histórico no serviço e pode passar novamente pelas áreas de psicologia, serviço social e orientação, com foco no rompimento do ciclo de violência.

Mais de 2,7 mil medidas protetivas

A busca por proteção também aparece nos dados do Judiciário. Entre janeiro e julho, Londrina contabilizou 2.721 medidas protetivas, segundo o Painel Violência contra a Mulher, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Do total registrado, 1.671 medidas foram concedidas e, em 66% dos casos, a primeira medida foi concedida no mesmo dia.


Segundo dados da Guarda Municipal, 2.708 mulheres com medidas protetivas de urgência estão cadastradas com o Botão de Emergência, habilitado pelo aplicativo 153 Cidadão.


No Paraná, os dados do Judiciário mostram 58.897 medidas protetivas registradas entre janeiro e julho. Os registros de Londrina correspondem a cerca de 4,6% do total estadual.

Como pedir ajuda?

Mulheres em situação de violência podem procurar o Centro de Atendimento à Mulher (CAM), que oferece atendimento psicológico, social e orientação jurídica. O serviço fica na Avenida Santos Dumont, 408, e atende pelo telefone (43) 3378-0132.


O município também conta com o Centro de Oficina para Mulheres (COM), na Rua Valparaíso, sala 3, com atendimento pelo telefone (43) 3378-0111.


Londrina mantém ainda a Casa Abrigo, serviço de acolhimento temporário e sigiloso destinado a mulheres e filhos em situação de risco de morte.


Denúncias e orientações também podem ser feitas pelo Ligue 180. Em situações de emergência ou risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.

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